SALVADOR
Vítima de acidente na Paralela teve perna direita amputada

A aposentada Anita Gonçalves, 69 anos, teve a perna direita amputada após o fracasso da tentativa de revascularização do membro, esfacelado no acidente de ônibus da última segunda-feira. A cirurgia foi realizada, ontem, no Hospital Roberto Santos (HRS) e durou cerca de cinco horas. A paciente continua na UTI, e seu estado é considerado grave.
Ela tam bém passou por uma cirurgia abdominal para verificar se havia hemorragia interna, o que não foi constatado. Segundo sua sobrinha Ivete Campos, ela tem o funcionamento dos rins comprometido e está muito inchada. A aposentada teve um início de infecção quando ia começar a passar por hemodiálise, que será reiniciada hoje.
A família reclama da assistência prestada pela viação Dois de Julho, uma das envolvidas no acidente, que só teria oferecido valestransporte e deixado de fazer contato. Só no primeiro dia, gastamos mais um tanque de gasolina, além da alimentação. Até agora, só ajudaram com a doação de sangue para minha tia, diz a sobrinha da vítima, que se emocionou ao encontrá-la ontem. Você vai fica boa, viu, velha?, disse.
A direção do hospital não confirmou a infecção, mas alegou que era uma possibilidade, devido à quantidade de intervenções invasivas a que a paciente tem sido submetida. A aposentada ainda precisa de sangue, que pode ser doado (de qualquer tipo) no posto da Hemoba na Vasco da Gama.Procurado por A TARDE, o diretor de operações da Dois de Julho, Alexandre Dias, disse que tomará providências. Nossa enfermeira irá até o hospital entregar os valestransporte pessoalmente, e vamos ajudar nos gastos que a família está tendo. Entraremos em contato também com a assistente social do São Rafael para ver se o paciente Florentino Natividade (marido de dona Anita) pode ser transferido para lá, prometeu.
HEMATOMA Sobrinha de dona Anita, a dona-de-casa Edna Soares, 35 anos, está sentindo as conseqüências do acidente. Liberada do HGE com um hematoma na testa e com o a perna esquerda inflamada, ela teve derrame na córnea do olho esquerdo e descobriu que está com uma pequena fratura em uma das vértebras da coluna, além da perna imobilizada por causa da pancada no joelho. Ela disse que não entrou em contato com a Dois de Julho, mas o diretor da empresa afirma que ela recebeu vale-transporte e foi encaminhada para recebimento do seguro obrigatório.
INQUÉRITO Quatro pessoas prestaram depoimento, ontem, na 11ª CP (Tancredo Neves). Dentre elas, o motorista do ônibus da Dois de Julho, Demisson Pacheco Oliveira, 31 anos, que negou dirigir em alta velocidade no momento em que colidiu com o veículo da empresa Transol. Ele falou que não se evadiu do local e só foi para o HGE quando a SET retirou os ônibus do lugar. Contou também que o veículo da Transol não parou no ponto e quando ele tentou desviar foi inevitável bater. Se não fosse no ônibus, seria em qualquer outro veículo que estivesse ao lado, contou a delegada plantonista Cláudia Ribeiro Pires.
Também estavam na delegacia a estudante Michele Fonseca, 24 anos, e a mãe, a cozinheira Leci Fonseca, 45 anos. Apesar de grávida, Michele afirmou que o bebê passa bem. O exame não deu nada, mas pode ser que depois do nascimento se descubra alguma coisa que o ultra-som não mostrou.
A passageira confirmou que Demisson não estava em alta velocidade e não conversava com ninguém.
O carro da Transol parou fora do ponto e não teve como ele desviar, disse ela, que estava sentada na segunda cadeira atrás do motorista. A polícia ainda não ouviu