SALVADOR
Vítima de temporal na capital baiana fica sem receber por 2 meses e meio

Não bastasse a dor pela perda dos dois filhos (de 2 e 6 anos de idade), mortos em deslizamento de terra em 14 de abril deste ano, na Rua Lindolfo Barbosa (Vila Canária),a dona de casa Nanci Conceição de Souza, 30, teve de enfrentar outro calvário.
Somente na última sexta-feira, 30, por volta das 14h, dois meses e meio após a tragédia em Vila Canária, ela conseguiu sacar a primeira parcela do auxílio emergencial, no valor de R$ 150, concedido pela Prefeitura de Salvador. “Já tinha desacreditado desse dinheiro”, revelou a dona de casa, lembrando que teve de gastar R$ 41,40 nas idas e vindas de ônibus ao banco.
Desempregada há cerca de três anos, a vendedora de doces Nanci Conceição, que cursou até o 1º ano do ensino médio, tentou por sete vezes sacar o benefício nas agências do Banco do Brasil localizadas na Av. Sete de Setembro (Centro) e em Porto Seco Pirajá. Contudo, segundo revela, sempre ouvia a mesma resposta de funcionários do banco: “Eles me diziam que o valor do benefício ainda não tinha sido depositado, que não tinha dinheiro algum na conta para nosso auxílio”.
Gravidez - Grávida de três meses e com dois filhos para criar,um menino de 4 anos e uma garota de 9, a única fonte de renda para a família de Nanci tem sido cerca de R$400 mensais, fruto dos serviços esporádicos de ajudante de pedreiro do marido dela.
O benefício, no valor de R$ 150, a ser concedido por três meses pela Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão (Setad) para os afetados pelas chuvas que castigaram a capital baiana e municípios da região metropolitana este ano, foi liberado um dia após A TARDE publicar reportagem sobre o tema e comunicar a Setad sobre as dificuldades dos moradores de Vila Canária, onde, só com as chuvas de abril, 25 famílias ficaram sem teto.
Sem auxílio - Morando de favor com marido e dois filhos numa casa cedida por um tio, Nanci Conceição lembra que, após a tragédia em Vila Canária, não passou por acompanhamento psicológico. Diferentemente do que ocorreu em Águas Claras, bairro mais atingido pelas chuvas de abril (61 famílias desabrigadas), a presença de assistentes sociais da prefeitura não foi percebida em Vila Canária.
A Setad (pasta municipal da Assistência Social), que por meio de assessoria de comunicação alega ter dificuldades em encontrar as vítimas das chuvas caso elas não procurem a secretaria, orientou, após obter com A TARDE o contato de Nanci, que ela fosse à Coordenação de Defesa Civil de Salvador (Codesal).
A TARDE foi com Nanci até a Codesal na sexta-feira, e verificou que, desde 10 de maio, quando ela esteve lá, órgão tinha enviado à Setad,com etiqueta de urgência, a liberação do bolsa-aluguel da moradora. No dia 14, o benefício foi concedido, no entanto o saque não foi possível. A coordenadora de proteção especial da Setad, Daniela Cova, informou que “Nanci tinha nosso número mas não ligou”.
Serviço | Para informações sobre benefícios: 3176-4769.
* Matéria publicada em A TARDE em 31/06/2010