SALVADOR
Wagner dirá quanto Estado gasta com Carnaval

A tensão entre governo estadual e entidades representativas dos blocos afro de Salvador, envolvidos na novela de distribuição da verba para o Carvanal, atingiu nesta quarta-feira seu maior nível desde que as negociações foram iniciadas, semana passada. O motivo da controvérsia é a indefinição do valor do repasse dos cofres públicos para a festa.
Queremos trabalhar com transparência. O apoio do governo era antes dado de maneira aleatória, sem critério, diz Zitomir Souza, gerente do Carnaval da Bahiatursa. A fim de cumprir a promessa de fazer um Carnaval mais justo, o Estado acertou que as próprias entidades dividiriam o bolo. Faltou combinar o tamanho.
A proposta oficial prevê a transferência de R$ 1,8 milhão pelo Estado. Mais R$ 1,5 milhão garantido pela prefeitura, os blocos receberiam R$ 3,3 milhões. É um valor irrisório. O Carnaval 2007 terá mais entidades desfilando e o governo quer diminuir o repasse, questiona Ari Sena, coordenador do Coletivo de Entidades Negras. O Estado, no entanto, diz que destinou às entidades R$ 1,188 milhão em 2006. Sena contesta, afirmando que o aporte do governo foi de R$ 4,7 milhões.
Não sei de onde tiraram esse valor. Mas essa pressão é natural. E todos sabem que o governo tem outras prioridades. O governador vai resolver isso, diz Souza. Em seu primeiro Carnaval no Palácio de Ondina, Jaques Wagner foi convocado para acalmar os ânimos. Vai apresentar, nesta quinta-feira, às 15h, quanto de fato seu governo vai destinar à folia de Momo.