SALVADOR
Xuxa agrada sem cantar

Apresentadora atende convite da amiga Ivete e faz figuração no Carnaval
AMANITA MATUTINA
Ivete até que tentou fazer manha dizendo que tinha uma surpresa para a galera, mas só quem não estava no planeta Terra nos últimos dias não sabia do que se tratava. Tanto que não faltavam foliões de outros blocos à espera de uma palhinha da rainha dos baixinhos. Mas a convidada da dona do par de pernas mais cobiçados e invejados do Carnaval baiano só deu o ar da graça na esquina para entrar na passarela oficial. Bronzeadíssima, Xuxa fez com que muitos rapazes esquecessem das lembranças infantis para se ligar na transparência do seu vestido.
Ela não parece uma boneca?, repetia Ivetão, sempre se mostrando extasiada com a presença da mãe de Sasha. Parecia mesmo um bibelô perfeito para enfeitar a cena após a partida de Bono e o mal entendido da anfitriã com Tati Quebra Barraco. Para os fãs que se espremeram e agüentaram o porradão do teste de som bem no ouvido, o sorriso que se mostrava pela janela da van junto com acenos entusiasmados era mais do que perfeito, era quase uma visão da própria Afrodite. Pouco interessava a maquiagem por trás daquele ar eternamente juvenil.
E ela é boa cantora?, arriscou a repórter diante de uma fã em êxtase.
Xuxa é maravilhosa em tudo!, respondeu prontamente a jovem que não esquece a musa da infância, mesmo já tendo passado dos 25 anos.
Não dizem que o amor é cego, surdo, mudo e maluco? Pois é, quem idolatra um artista segue pelo mesmo caminho. Os gritos não foram tão intensos nem enlouquecidos quanto se podia esperar, mas bastou um cumprimento carregado de sotaque carioca para Xuxa ser ovacionada. Oi gentchi, acenou a apresentadora que empresta o nome para um sem fim de produtos. Quero sentir a energia dessa galera, pediu um pouco antes de, digamos, cantar a primeira música. Nesse meio tempo, a anfitriã logo cuidou de delicadamente expulsar um repórter de TV do palco.
Deixa o povo ver a moça meu bem, repreendeu Ivetão.
Como o moço sossegou o facho, a ex-namorada de Pelé e mãe da filha do Superman brasileiro, Luciano Szafir, pôde finalmente começar: Tá na hora, tá na hora. Apesar de não largar o microfone, ela dizia uma frase ou outra e deixava para a galera. Parece até que rolava um playback, mas, pô, ela já tinha mesmo avisado que vinha só dá uma voltinha no trio da amiga. Porém, na estréia de Xuxa na folia baiana, é claro que haveria muito barulho, mesmo que fosse por muito pouco ou por nada. Sempre acompanhada da filha, ela exalava animação, enquanto a pequena Sasha parecia um tanto intimidada.
Autor do hit que abriu a participação da loira gaúcha que já conhecia outros carnavais o dos sambódromos , Cid Guerreiro estava na área e foi apontado pela loira gaúcha, que assim o apresentava à sua pimpolha. Só não deu para rolar um dueto no refrão Ilari, ilari, ilariê, porque a música já tinha rolado quando o trio passou por ele. Senhora absoluta do seu espaço, Ivete fazia coro nas músicas infantis, dançava sem parar e respondia ao monte de cartazes em sua homenagem. Só não atendeu aos pedidos insistentes para mandar um arrocha na avenida.
Ao fim da passarela, a cantora baiana se ausentou por alguns segundos e passou o comando da folia para a sua convidada.
Vou dar uma de Ivete!, avisou antes de uma sonora gargalhada.
Com a árdua função de dizer as frases responsáveis por manter a animação dos foliões, Xuxa se alternava entre dizer todo mundo tira os pés do chão, joga as mãos para cima e olhar para trás com ar de quase desespero, esperando pela volta de Ivetão. A musa carnavalesca que fez duas adolescentes viajarem 18 horas só com o dinheiro do transporte reassumiu o comando da folia, para delírio das amigas que vieram de Vitória (ES), só para curtir este momento.