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Caminhoneira prova que mulher no volante, é segurança constante

Reportagem faz parte da série especial do Portal A TARDE que traz atuação do público feminino em vários locais

Publicado sexta-feira, 22 de março de 2024 às 18:33 h | Atualizado em 22/03/2024, 19:49 | Autor: Leilane Teixeira
Imagem ilustrativa da imagem Caminhoneira prova que mulher no volante, é segurança constante
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"Mulher no volante, perigo constante", "vai pilotar um fogão". Quem nunca ouviu frases como essas? Os comentários com teor machista vêm de longas décadas, mesmo com dados provando ao contrário. No entanto, em meio a uma sociedade que insiste em ditar profissões e lugares que mulheres devem estar, o público feminino mostra cada vez mais competência para assumir qualquer profissão, inclusive ser motorista de caminhão, como Luciana Farias, de 40 anos.

Lu, como é carinhosamente chamada pelos colegas, atua há dois anos como caminhoneira na Transbahia. Ela acorda todos os dias à 2h da manhã e às 4h inicia mais um dia de trabalho transportando 25 mil litros de combustível inflamável.

"Estou há dois anos nessa profissão e é algo que eu gosto. Sei que é uma profissão muito dominada por homens, mas não tenho problemas com isso, foco no meu trabalho mesmo. Chego na empresa às 4:00 para pegar o caminhão, faço todo check-list antes de sair: vejo óleo, água, pneus, descarga, cabo terra... Desço para carregar o caminhão bitruck que piloto, que pesa 310 toneladas e carrega 25 mil litros de combustível inflamável. Vou nos postos abastecer e no final da tarde, eu estou de volta na garagem", conta a caminhoneira.

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Segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o Brasil possui mais de 29 milhões de mulheres habilitadas. Na Bahia, em 2024, esse número chega a quase 800 mil, o que representa 30% do total do público feminino no estado.

Mais segurança

Luciana se considera extremamente responsável no trânsito, atitude que, para ela, é mais frequente em mulheres do que em homens. "Mais mulheres estão tomando o posto em veículos longos. Nós somos mais atenciosas, menos imprudentes no trânsito. É algo muito gratificante para mim. Apesar do preconceito, muitas pessoas me elogiam porque sabem do meu cuidado".

Os dados emitidos pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-BA) ratificam a fala da caminhoneira. Entre 2019 a 2023, foram quase 5 milhões de multas registradas pelo órgão na Bahia, no entanto, deste número, apenas 5,39% foram aplicadas entre as motoristas e motociclistas. Já em relação aos sinistros, dos mais de 32 mil registrados no período, apenas 6,35% foram foram causados por pessoas do sexo feminino.


"A minha responsabilidade no trânsito reverberou até na forma que sou trada pelos homens. E aonde quer que eu vá, mesmo sendo mulher, sou bem recebida e bem elogiada por comandar tão bem uma profissão tida como "masculina". Fui a única mulher por um bom tempo trabalhando com isso na empresa, agora chegou uma colega. Mas sempre foi eu sozinha no meio de muitos homens. Porém eles sempre me respeitaram e me trataram bem. Tanto dentro da Transbahia, como nas estradas", conta.

Dificuldades superadas

Como nem tudo são flores, a motorista também já passou por dificuldades. Segundo ela, o principal desafio é trabalhar com combustível, devido aos riscos iminentes com o material.

"Eu trabalho com líquido inflamável. Nunca tinha trabalhado nessa área. É um serviço muito perigoso, cauteloso, onde requer atenção total. A gente entra numa base para carregar, o processo da saída da base até chegar a um posto de combustível para poder fazer o descarregamento. Ao longo do processo, a única dificuldade que eu passei no serviço foi uma vez que o caminhão quebrou e não quis descer o combustível, ou seja, a válvula não funcionou para eu poder fazer descarregamento. Foi então que eu tive que acionar a empresa para poder me ajudar e me socorrer. Graças a Deus, foi tudo muito bom, tranquilo", disse.

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Para quem deseja seguir o mesmo caminho mas tem algum receio, Luciana fala para não deixar se abater em meio as dificuldades, sejam elas pessoais ou na prática do serviço. "Nas dificuldades que eu tive, eu dizia assim: 'Senhor, eu não vou dar conta não'. Mas eu consegui e está aqui, as portas estão abertas para quem quiser entrar, fazer parte do nosso grupo, se juntar a nós e transformar os sonhos em realidade. Tudo isso serve de experiência para muitas mulheres, que sonham, que gostam de ser caminhoneira.

Série de reportagens

A matéria faz parte do projeto especial do Portal A TARDE "Mulheres em Ação". Toda semana ao longo do mês de março, publicaremos matérias que homenageiam as mulheres reforçando que ela podem estar em qualquer lugar. Na última sexta-feira, 8, trouxemos mulheres que são destaque em perfil de liderança e que dominam os canteiros de obras.

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