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Cozinhas comunitárias fornecem refeições gratuitas a pessoas em situação de vulnerabilidade.

BAHIA SEM FOME

Conheça a estratégia da Bahia para garantir prato cheio no interior

Novas cozinhas em Juazeiro e Camaçari simbolizam o avanço da parceria entre o Governo do Estado, prefeituras e sociedade civil

Cozinhas comunitárias fornecem refeições gratuitas a pessoas em situação de vulnerabilidade. - Foto André Frutuoso | Ascom CAR

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Alan Rodrigues

Por Alan Rodrigues

29/01/2026 - 8:03 h

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Após três anos de estruturação, o programa Bahia Sem Fome entra numa nova fase. Um dos pilares do plano de governo de Jerônimo Rodrigues começou como um programa se tornou política pública. A evolução da iniciativa transformou a arrecadação de alimentos em uma rede de segurança alimentar que, a partir de fevereiro, amplia sua capacidade operacional em todo o estado.

Com a seleção de 118 prefeituras, o Bahia Sem Fome irá financiar 191 novas cozinhas comunitárias municipais. Somadas a mais 106 cozinhas, em parceria com unidades gerenciadoras, serão mais 297 equipamentos produzindo e distribuindo, de graça, 200 refeições por dia.

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O número supera as 250 cozinhas instaladas nos três primeiros anos do programa e eleva para 18 milhões o número de quentinhas distribuídas por mês. Situação bem diferente da encontrada em janeiro de 2023, quando Tiago Pereira foi nomeado para comandar o Bahia Sem Fome.

Ele lembra que estudos da rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional) apontavam 33 milhões de brasileiros em situação de fome, 2 milhões desses na Bahia, dos quais 1,3 milhão saíram da insegurança alimentar até 2025.

“O primeiro ano foi bem difícil. A gente foi driblando as ações orçamentárias para focalizar no combate à fome”, diz Tiago. A primeira estratégia foi mobilizar empresas e sociedade para arrecadar doações, que alcançaram a marca de 1.385 toneladas de alimentos, beneficiando 125 mil famílias.

Parcerias com a agricultura familiar

Além das doações, o Bahia Sem Fome desenvolveu outras ações, incluindo editais para produção de alimentos através da agricultura familiar e a instalação de cozinhas comunitárias, geridas por instituições da sociedade civil.

“Uma das grandes inovações do Bahia Sem Fome são as cozinhas comunitárias. Fomos beber na experiência da sociedade civil e, como não se tinha recursos do estado, lançamos editais para parceirizar com cozinhas comunitárias e solidárias. É o estado transferindo recurso público para quem produz alimentação e distribui para quem passa fome”, explica o coordenador.

2.600% foi o crescimento do número de municípios baianos no Sisan

Ao final do ano passado, 250 cozinhas já estavam em funcionamento, atendendo 50 mil pessoas em 109 municípios. Outra frente de atuação do Bahia Sem Fome é a estruturação do Sisan (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional). Em 2023, apenas 7 municípios integravam o sistema. Em 2025, esse número chegou a 189, um crescimento de 2.600%.

Tiago Pereira mostra no mapa a evolução da presença do Bahia Sem Fome em todas as regiões do estado.
Tiago Pereira mostra no mapa a evolução da presença do Bahia Sem Fome em todas as regiões do estado. | Foto: Thassio Ramos | Ascom Bahia Sem Fome

Com o maior interesse das gestões municipais, o Bahia Sem Fome abriu novo edital e selecionou 118 prefeituras para gerir 191 cozinhas comunitárias municipais, além de apoiar outras 106 geridas por 29 entidades parceiras em 20 municípios. Ao todo, serão 547 cozinhas beneficiando quase 110 mil pessoas.

18 milhões é o número de quentinhas que serão servidas por mês nas cozinhas comunitárias.

Cada cozinha recebe R$ 11 por refeição, incluindo remuneração, capacitação, embalagens e transporte. Um dos municípios contemplados é Juazeiro, no norte do estado, que vai receber 4 cozinhas comunitárias para produzir 800 refeições diárias.

“O interesse surgiu justamente para combater essa insegurança alimentar e levar comida para quem mais precisa. Hoje o município implantou o Juazeiro sem Fome, que é voltado para arrecadação de alimentos e destinar a quem mais precisa, diante disso surgiu o interesse em participar do convênio das cozinhas comunitárias”, diz Felipe Lins, gestor das cozinhas municipais em Juazeiro.

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Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, foi contemplada com 8 cozinhas municipais e mais 8 solidárias, geridas pela APAE e pelo Terreiro de Lembá, alcançando uma cobertura bastante abrangente. Para a Secretária de Desenvolvimento Social e Cidadania, Jeane Gleide, um grande avanço na reestruturação do sistema de assistência social do município.

“Encontramos terra devastada, serviços descontinuados, centro POP ( população de rua), CRAS (assistência social)desativados, sem memória, sem arquivo, tivemos que cadastrar do zero”, lembra a secretária. Com as 16 cozinhas funcionando, ela poderá fornecer 3.200 refeições diárias. “Quem tem comida, tem dignidade”.

Tata Ricardo é o líder do terreiro ‘Unzo Tateto Lemba’, com 30 anos de projetos sociais em Camaçari. Ele se orgulha de ter alcançado o 1º lugar no 1º edital lançado pelo Bahia Sem Fome. As 4 cozinhas geridas pelo terreiro ficarão 2 na sede e outras duas nas localidades de Parque das Mangabas e Parque Verde.

Com a experiência de quem comanda uma escola pública municipalizada, um ponto de cuidado voltado a usuários de álcool e drogas e população de rua, além de uma casa de idosos, Tata, que é o título de sacerdote dos terreiros de nação Angola do Candomblé (Tata riá Nkisi) se orgulha de superar as metas estabelecidas nos editais e não nega um prato de comida a quem precisa. “Todo dia chega gente, não posso dizer não, isso aqui é um terreiro de candomblé”.

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