DIA DA MULHER
De balconista a empresária: a história do Açaí da Lu no Nordeste de Amaralina
Cerca de 700 mil mulheres comandam empreendimentos no estado

As mulheres baianas têm transformando o crescimento econômico da Bahia através do empreendedorismo. De acordo com a quarta edição da pesquisa “Desafios e Oportunidades do Empreendedorismo Feminino na Bahia”, elaborada pelo Sebrae Bahia, cerca de 700 mil delas comandam empreendimentos no estado, representando um terço do total do Brasil.
Cada uma dessas empreendedoras carrega uma história de superação, força e sonhos, como é o caso de Luciana Gama, de 38 anos, dona do Açaí da Lu, localizado no Nordeste de Amaralina, região periférica de Salvador. O portal A TARDE conversou com a empresária para conhecer a trajetória do sonho para a oportunidade.
Ela começou o próprio negócio em 2011, mas já trabalha com o produto há 23 anos, desde quando se tornou balconista de um estabelecimento.
"Eu comecei como balconista, depois virei caixa e por último virei supervisora na mesma empresa. Eu entrei com 17 anos e meus patrões foram vendo o meu dom. Saí de lá em 2010, com muita dor no coração, pois senti que tinha chegado o momento de eu abrir o meu negócio", relembrou.
A coragem de arriscar surgiu do amor que ela sentia pelo trabalho. A partir deste momento, algo em seu coração garantiu o impulso que faltava.
"Se eu amo uma loja que é dos outros, se eu trabalho com tanto amor, com tanto carinho, se eu visto a camisa dessa empresa, por que não abrir a minha e ter esse amor pela minha?", se questionou.
Apoio de outras mulheres
Na época, Luciana contou com a ajuda de outra mulher para dar os primeiros passos no negócio. Sua amiga emprestou um R$ 12 mil no cartão de crédito para comprar a matéria prima inicial, alugar e reformar o espaço.
No bairro, a empreendedora foi pioneira, inaugurando o primeiro estabelecimento do segmento, abrindo espaço para outras lojas posteriormente.
"Só tinha açaí em bairro nobre. Eu fui a fundadora do açaí no Nordeste de Amaralina, então eu me sinto lisonjeada de hoje poder olhar e ver tantos açaís e ver que eu fui a fundadora", comemorou.
Ao entender a possibilidade de mercado na periferia, e apostando no produto artesanal, o sonho de Luciana deu certo logo de cara e, ainda no primeiro mês, ela passou a faturar cerca de 40% a mais do que ganhava como assalariada.
Com mais de 100 fichas para atender por dia, ela novamente contou com mulheres para viabilizar o processo.
"Era eu, minha mãe, minha amiga e minha cunhada. Depois de um mês, eu tive que contratar funcionário e o negócio foi crescendo", disse.
Atualmente, ela conta com seis colaboradores fixos e freelancers contratados para trabalho aos fins de semana.

Mãe, além de empreendedora
Nem só de trabalho vive Luciana. Ela é mãe de Malu, de nove anos, e vive entre o desafio de administrar a empresa e ter tempo de qualidade com a filha.
A menina estuda pela manhã e, por não ter com quem deixá-la após o período, Lu acaba levando a criança para o estabelecimento. É no local, em meio ao trabalho da mãe, que Malu realiza as atividades escolares.
"Eu acabo não tendo muito tempo. A mente sempre está agitada, sempre está na correria. Às vezes, ser forte demais também é ser fraca, porque para todo mundo a gente sempre é forte, mas no fundo, a gente é frágil também. Hoje o meu foco é que a minha empresa cresça tanto, que eu tenha pessoas qualificadas para eu ter essa qualidade de vida que eu ainda não alcancei", disse, emocionada.
Por esse motivo e questões logísticas, ela já pensou em desistir algumas vezes e houve uma época em que a empresária chegou a ter oito lojas, mas acabou fechando devido às dificuldades.
"Com uma loja só, eu sinto que eu ainda vou crescer novamente, mas agora é um momento de respirar, de equilíbrio pra eu tomar as decisões certas. Hoje em dia, quando eu olho pra minha filha e vejo o que eu posso proporcionar pra ela com o meu trabalho, me dá forças de eu continuar, porque eu acredito que se eu vencer, muita gente vence comigo", afirmou.
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Delivery como forma de expansão
Uma das dificuldades enfrentadas por Luciana foi a pandemia. Na época, o cuidado teve que ser redobrado, pois a filha tinha apenas três anos e, para evitar aglomeração, ela começou a apostar em vendas delivery.
Foi nesta época que ela ingressou na plataforma iFood, primeiro com desconfiança. No entanto, ao perceber os resultados, Lu entendeu que a ferramenta era capaz de alavancar ainda mais as vendas.
"Eu não acreditava muito na plataforma, mas ao passar do tempo, foi mudando as coisas. Eu comecei a enxergar a era do delivery como uma força para mim, e aí eu vi que valeria a pena investir em promoções. Hoje, 80% do meu faturamento vem do iFood, então, me sinto muito feliz por ter eles comigo, porque é como se fosse um sócio que chegou para ajudar", acrescentou.
Mudanças e inspirações
Além de funionar como fonte de renda para a família de Luciana, colaboradores e fornecedores, o Açaí da Lu mudou a relação da empreendedora com o dinheiro. Segundo a empreendedora, seu poder de compra mudou e, agora, ela tem possibilidade de realizar conquistas que antes pareciam distantes.
"O que mais impactou foi o poder de comprar algo que naquela época, quando eu era assalariada, eu precisava do cartão de alguém com limite alto e dividir de várias vezes", contou.
Por toda a trajetória, ela reconhece o seu potencial em inspirar outras mulheres que sonham em ter seu próprio negócio.
"Eu venho da periferia, sou uma mulher forte e já tive muitos empecilhos, mas eu sempre dou a volta por cima. Então, muitas mulheres se inspiram em mim pela minha fortaleza e porque eu sou uma mulher de fé e eu motivo também outras mulheres a abrir seu próprio negócio e a enxergar a mulher que tem dentro de si", disparou.
Portanto, Luciana deixa uma mensagem para todas aquelas que desejam começar a empreender e afirma que o primeiro passo é a autoconfiança e persistência nos sonhos, apesar das dificuldades.
"Todo negócio de sucesso nasce da coragem de dar o primeiro passo. Que cada mulher reconheça sua força, valorize sua história e entenda que empreender também é um ato de coragem e transformação, não só da própria vida, mas da vida de muitas pessoas ao seu redor. Quando uma mulher vence, todas nós vencemos, e todas as pessoas que estão ao nosso redor vencem também", finalizou.
Elas que crescem
Mais de 200 mil empreendedoras do iFood são mulheres, número que representa 47% do setor na companhia. Em novembro de 2025, a plataforma anunciou o lançamento do projeto "Elas que Crescem", uma iniciativa dedicada ao impulsionamento e fortalecimento de mulheres empreendedoras do ecossistema gastronômico brasileiro.
O programa oferece capacitação especializada, ações de visibilidade e apoio estratégico para acelerar o crescimento de negócios liderados por mulheres empreendedoras.
A iniciativa oferece um ecossistema completo de apoio com cursos de capacitação gratuitos especializados para desenvolvimento de competências empresariais e liderança, ações de visibilidade estratégica nas redes e plataformas de comunicação do iFood e destaque especial para restaurantes das participantes no aplicativo da companhia.
"Acreditamos que quando investimos no crescimento das mulheres empreendedoras, estamos não apenas transformando negócios, mas também gerando impacto social positivo e construindo um futuro mais diverso e inclusivo para toda a cadeia alimentar", destaca Beatriz Pentagna, Diretora de Marketing B2B do iFood.
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