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Direitos e inclusão de pessoas atípicas serão debatidos no Capão

Especialistas e família da região participam de encontro nos dias 13 e 14

Miriam Hermes
Por Miriam Hermes
Imagem ilustrativa da imagem Direitos e inclusão de pessoas atípicas serão debatidos no Capão
Foto: João Paulo Torquato

O 3º Encontro de Desenvolvimento e Direitos da Pessoa Atípica vai reunir especialistas, educadores e famílias atípicas de diferentes municípios da Chapada Diamantina, nos dias 13 e 14 de novembro no Vale do Capão, distrito Caeté-Açú, em Palmeiras.

Organizado pelo Projeto Ressignificar, o evento que acontece na Pousada Villa Flor se propõe a fortalecer a rede de apoio local e aprofundar debates sobre as questões que interessam diretamente as famílias neurodiversas. A realização conta com apoio local com hospedagem e alimentação para os convidados.

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Com a aproximação da data, além da confirmação dos palestrantes que vão abordar temas como desenvolvimento infantil, educação inclusiva, saúde mental e direitos das pessoas neurodivergentes e com deficiência, também as famílias estão se manifestando. Até 20 de outubro ratificaram presença pessoas de diferentes municípios da Chapada, incluindo Seabra, Iraquara, Wagner, Utinga e Palmeiras.

"Nosso maior objetivo é que a inclusão deixe de ser apenas um discurso e se transforme em acesso real à saúde, à educação e à dignidade", definiu a coordenadora geral do Projeto Ressignificar, Dandara Nogueira Vieira, destacando que está com uma expectativa "muito positiva" para o evento, pois o projeto está ampliando o alcance regional, com procura crescente por parte das famílias e apoio de profissionais.

Serão dois dias de programação, com previsão de 12 palestrantes. Entre eles, um procurador do Estado da Bahia, além de profissionais de psicologia, psicopedagogia, análise do comportamento, fonoaudiologia, psiquiatria infantil, psicomotricidade e direito previdenciário.

As inscrições são limitadas a 50 participantes. Custam R$ 30 e devem ser confirmadas antecipadamente pelo link.

Tem certificado de 12 horas e as pessoas comprovadamente PCDs, tem inscrição gratuita.

De acordo com ela, embora o município esteja disponibilizando atendimento com neuropediatra pelo SUS, o que classificou como "muito importante", o serviço ainda não alcançou todos que precisam.

A luta, salientou, é garantir este atendimento com especialistas para todos, bem como suporte multidisciplinar com equipes preparadas também na rede escolar.

"Segundo dados de 2026 da rede municipal de ensino de Palmeiras, são 2.050 matrículas curriculares, 589 alunos registrados na educação especial e 255 registros de Atendimento Educacional Especializado (AEE)", disse, apontando que a necessidade é grande no município.

"Muitas famílias enfrentam dificuldades para conseguir consultas especializadas pelo SUS e precisam se deslocar para outros municípios em busca de atendimento", ressaltou, citando que no Vale do Capão, ainda não contam com um centro de atendimento multidisciplinar, que ofereça assistência contínua às crianças e apoio às famílias. Mãe atípica

Nascida em Alagoinhas, criada em Salvador e moradora do Capão há 13 anos, Dandara tem 35 anos, é gestora de eventos e mãe de uma criança de 6 anos, TEA não verbal nível 2 de suporte. Foi a partir desta experiência materna que em 2024 ela criou o projeto Ressignificar, independente, sem financiamento permanente, que se mantém por meio de parcerias, voluntariado e mobilização comunitária.

A iniciativa vai além dos encontros anuais. "Desenvolvemos ações como o Semente da Inclusão, que promove atendimentos especializados e formação de educadores; a Corrida e Caminhada Inclusiva - Abril Azul; e a Rede de Mães Atípicas, voltada ao acolhimento e fortalecimento das famílias", enfatizou, dizendo que para novembro estão organizando uma nova ação com atendimento neuropediátrico para crianças da região.

Nativa do Capão, a agente comunitária de saúde, Marlene Soares de Almeida tem dois filhos e um irmão com TEA, não verbais, com grau severo. Desde o início faz parte das famílias mobilizadas pelo Ressignificar e disse que a mobilización tem fundamental importância para todas as famílias atípicas da comunidade em busca dos seus direitos.

Ela endossou a necessidade de maior apoio na área de ensino com profissionais capacitados, espaço e materiais voltados para alunos da educação especial e do Atendimento Educacional Especializado. "Nossa sorte que temos alguns profissionais da saúde como psicóloga e psicopedagoga morando aqui no vale, o que facilita muito o atendimento continuado", revelou.

A reportagem procurou a Prefeitura de Palmeiras por e-mail para saber sobre educação especial e atendimento de saúde, mas não teve resposta até o fechamento.

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