BAHIA
“Divisor de águas”: novo app promete fim do monopólio de Uber e 99
Grupo já está presente em 11 estados do Brasil e pretende atingir até 300 mil pessoas até 2028


A cidade de Salvador recebe, nesta segunda-feira, 18, uma nova alternativa de transporte por aplicativo que visa concorrer diretamente com a Uber e a 99, prometendo mudar a atual realidade do segmento.
A novidade é a plataforma Liga Coop, que busca oferecer uma melhor qualidade de serviço diante de um cenário local marcado por queixas frequentes dos usuários, tais como:
- Sucessivos cancelamentos de corridas;
- Valores considerados abusivos;
- Condutores que optam por não ligar o ar-condicionado dos veículos, mesmo em dias quentes.
Com essa expansão, a Bahia torna-se o 12º estado a contar com a presença do grupo, que inicia as atividades hoje com a realização de uma pré-assembleia com motoristas locais.
O portal A TARDE acompanhou o evento de lançamento e conversou com o presidente da federação nacional da Liga Coop, Márcio Guimarães, que destacou os diferenciais da cooperativa em relação às grandes empresas do ramo.
“Diferente das grandes big techs, os trabalhadores se apropriaram da plataforma. Ela é de propriedade dos trabalhadores, funciona com decisões coletivas e todas as deliberações são tomadas em assembleias”, explicou Guimarães.

Bahia é um sonho antigo
Sobre a chegada ao estado, o presidente da federação nacional comentou que a região era um "sonho antigo" da organização.
“Desde que constituída a federação nacional, a gente fala muito da Bahia, principalmente por sabermos que aqui há um núcleo de economia solidária fantástico. Chegar à Bahia era um sonho para um movimento como o nosso”, afirmou.
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Opinião dos motoristas
A Liga Coop chega com a proposta de melhorar as condições de todos os envolvidos no ecossistema de transporte, tanto para quem trabalha quanto para quem consome o serviço.
O motorista de aplicativo Valbert Santana, presente no evento, comentou ao portal A TARDE sobre os impactos da plataforma em sua rotina:
“A Liga Coop chega justamente para trazer esse diferencial na qualificação dos motoristas que precisamos para prestar um ótimo atendimento. No quesito remuneratório ou tarifário, teremos qualidade de vida e autonomia para decidir as horas de trabalho, além da segurança de saber que seremos bem remunerados. Teremos a estabilidade de que precisamos hoje”, avaliou o condutor.

Organização dos trabalhadores
O presidente licenciado da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, também avaliou positivamente a chegada da iniciativa ao cenário baiano. Para ele, “havia a necessidade da organização desses trabalhadores e da criação de uma cooperativa que não os superexplorasse”.
Bacelar ressaltou ainda a mudança no ganho financeiro para os motoristas que migrarem para a cooperativa:
“Olha só a diferença de que estamos falando: os aplicativos tradicionais hoje transferem para os trabalhadores cerca de 55% daquilo que é gerado de riqueza em uma corrida. Já a Liga Coop tem uma taxa de transferência de 88,8% da renda para o motorista.”

Transição e jornada de trabalho
O dirigente da FUP demonstrou otimismo quanto à adesão dos consumidores locais à nova plataforma. “Tenho absoluta certeza de que as pessoas deixarão de utilizar esses aplicativos que superexploram os trabalhadores para usarem a plataforma da Liga Coop”, pontuou Bacelar.
Outro ponto debatido por ele foi a regulamentação do tempo de direção para evitar jornadas exaustivas. “A Liga Coop traz a necessidade de se estabelecer uma carga horária que seja razoável, de no máximo 13 horas, garantindo que as pessoas possam ganhar mais do que ganham nos outros aplicativos, mas com segurança”, ponderou.
Novo olhar sobre o cooperativismo digital
A presidente da Unisol Bahia, Anne Sena, destacou ao portal A TARDE como o modelo de negócios deve transformar a percepção do trabalhador sobre o setor de tecnologia.
“Para nós, vai ser um divisor de águas. Sempre pensamos na plataforma digital como a última alternativa de trabalho, mas agora ela passa a ser a primeira alternativa ao desemprego sob uma perspectiva de organização dos trabalhadores e de dignidade de vida”, concluiu.



