QUEDA DE BRAÇO
CEO do Aeroporto desafia Câmara e projeto contra Kiss & Fly vai a votação na quarta
Tendência é que proposta seja aprovada, sem resistência, na Câmara de Salvador


O imbróglio em torno da polêmica cobrança na área de embarque e desembarque no Aeroporto de Salvador, batizada de Kiss & Fly, pode chegar ao fim na próxima semana.
Isso porque a Câmara Municipal (CMS) deve colocar em votação na próxima quarta-feira, 27, o projeto do vereador Carlos Muniz incorporado com o do vereador Daniel Alves, ambos do PSDB, para barrar o faturamento.
Nos bastidores, espera-se que as matérias sejam colocadas em votação ainda nesta quarta, 20. Contudo, os líderes do governo e oposição, Kiki Bispo (União Brasil) e Randerson Leal (Podemos), devem tratar sobre o tema após a sessão ordinária de hoje, 18.
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"Oportunismo": fala de CEO da Vinci Airports tensiona Câmara
A reportagem do portal A TARDE apurou que o clima no Legislativo é para que o projeto avance e seja aprovado em plenário, sem nenhum tipo de embargo, devido ao seu caráter popular.
Ainda segundo apuração do portal, Muniz, que preside a Casa, teria ficado chateado com a fala do CEO da Vinci Airports, administradora do equipamento, Júlio Ribas, de chamá-lo de “oportunista”.
"Amanhã [13/05] deve ser votado um projeto de proibição que esbarra em várias ilegalidades. A Anac já deixou muito claro que é ok fazer isso, mas tudo por um certo oportunismo. Desculpa vereador Carlos Muniz, eu me dispus, enviei mensagens, enviei ofícios dizendo que iria dar explicações", disse Ribas em entrevista ao programa Linha de Frente, na terça-feira, 12.
Por essa razão, o tucano promete não recuar da proposta, apesar das pressões exercidas pelo próprio aeroporto por meio do Executivo municipal, como já noticiado de forma exclusiva pelo portal A TARDE.

“Absurdo” e “passageiros reféns”: o que dizem os vereadores?
Em conversa com o portal, nesta sexta-feira, 15, o vereador Daniel Alves (PSDB) diz que considera a iniciativa como um "absurdo" e alerta para outros problemas existentes no equipamento.
“Eles [a Vinci Airports] transformaram um lugar público em um estacionamento. Eles tinham que está preocupados de limpar os banheiros. Acham que são donos e podem fazer qualquer coisa”, disse ao A TARDE, na última sexta-feira, 15.
Outro parlamentar, também em anonimato, alega que é "imperativo que a Câmara Municipal exerça sua soberania e leve a matéria a plenário".
"[...] Pois o que está em jogo não é apenas uma taxa de conveniência, mas o direito de acesso ao principal equipamento de transporte da cidade sem que o passageiro seja feito refém de uma exploração tarifária injustificável e predatória".
Soberania da Câmara
Questionado sobre o assunto, o líder do governo Kiki Bispo defendeu a soberania da Casa Legislativa sobre o tema.
O plenário da Câmara é soberano. A Câmara de Salvador tem autonomia para fazer essa votação
Bruno Reis nega interferência da gestão em cobrança do Kiss & Fly
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), endossou, publicamente, a independência do Legislativo municipal, que tem discutido a legalidade da medida.
“A Câmara tem autonomia, os vereadores, para aprovar os projetos e as matérias que acharem que são importantes para a cidade”, disse o prefeito.
O projeto
O texto do vereador prevê que a legislação municipal evite que empresas se aproveitem das cobranças para impor mais um peso nas contas da população de Salvador.
“A intenção é proteger o direito de ir e vir do cidadão, evitando a cobrança indevida para acesso a áreas essencialmente de circulação humana, como embarque e desembarque de passageiros”, explicou o vereador na justificativa do projeto.
Segundo o texto, os administradores do terminal deverão garantir a organização e a sinalização das áreas de embarque e desembarque, de forma a assegurar a fluidez do trânsito local e preservar a segurança dos veículos.
O que é o Kiss & Fly no Aeroporto
A implantação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional de Salvador visa uma cobrança de R$ 18,00 para motoristas que excederem 10 minutos na área de embarque e desembarque.
O modelo de acesso, controlado por cancelas, não apenas taxa o tempo de permanência, mas estabelece uma estrutura de monopólio que ameaça extinguir a operação do táxi comum no terminal, criando uma lógica de "quem não paga, não trabalha" dentro do serviço público de transporte.


