POLÊMICA
Muniz rebate CEO do Aeroporto por Kiss & Fly: "Oportunismo é dele"
Presidente foi criticado por apresentar projeto de lei contra sistema de cobrança


O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), subiu o tom e rebateu a crítica feita por Júlio Ribas, CEO da Vinci Airports, administradora do Aeroporto Internacional de Salvador.
O executivo chamou de "oportunista" o projeto de lei proposto por Muniz para tentar barrar o sistema Kiss & Fly, que visa uma cobrança de R$ 18,00 para quem exceder 10 minutos na área de embarque e desembarque.
"Amanhã [13/05] deve ser votado um projeto de proibição que esbarra em várias ilegalidades. A Anac já deixou muito claro que é ok fazer isso, mas tudo por um certo oportunismo. Desculpa vereador Carlos Muniz, eu me dispus, enviei mensagens, enviei ofícios dizendo que iria dar explicações", disse Ribas em entrevista ao programa Linha de Frente, na terça-feira, 12.
"Na fala dele tem um equívoco quando ele fala que é oportunismo, porque o oportunismo é dele. O oportunismo é você fazer algo que você tire benefício da população, como ele quer tirar", respondeu Muniz ao portal A TARDE.
O empresário ainda alegou que enviou ofício tanto para a Câmara quanto para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) mostrando estar disposto a ir ao plenário ou em alguma comissão prestar explicações, mas segundo ele, seu pedido não foi atendido.
Muniz confirmou o recebimento do ofício, mas negou que Júlio Ribas tenha se disponibilizado a debater o tema com os outros vereadores da Casa.
"Ele mandou uma correspondência pedindo que ele fosse atendido por mim. Ele não colocou nessa correspondência que ele queria conversar com todos os vereadores numa audiência pública ou algo parecido. Se colocar a disposição da Câmara não é só querer conversar com o presidente. Se colocar a disposição da Câmara é conversar com todos os vereadores e todos aqueles interessados em uma audiência pública, por exemplo. Se ele quiser fazer isso, sem problema nenhum", afirmou.
A matéria contra o Kiss & Fly não foi votada porque Muniz não estava presente no plenário no momento da votação, na sessão ordinária desta quarta-feira, 13. Para a reportagem, o presidente do Câmara garantiu que o projeto será apreciado na próxima sessão que houver votação.
Na fala dele tem um equívoco quando ele fala que é oportunismo, porque o oportunismo é dele. O oportunismo é você fazer algo que você tire benefício da população, como ele quer tirar
Tempo e dinheiro
Carlos Muniz explicou os motivos que o levaram a propor o projeto. Na avaliação dele, o tempo de 10 minutos não é o suficiente para o embarque e desembarque de todos os públicos. Além disso, ele considera que o valor de R$ 18 é desproporcional.
"Ele quis se defender de algo que é que eu acho que é absurdo, principalmente por causa do tempo que eles querem dar para que você deixe um passageiro. Um exemplo que eu vou dar a você é o seguinte: se uma pessoa for cadeirante, você acha que ela consegue em 10 minutos tirar aquela pessoa do carro, colocar em uma cadeira de rodas e levar aquela pessoa até o destino onde de embarque que ela ela precisa ir?", questionou.

"Esse valor que ele acha que deve ser cobrado é o outro problema, mostra que é uma ganância por parte deles. Qual é o estacionamento em Salvador, uma cidade pobre que depois de 10 minutos é cobrado R$ 18?", acrescentou.
"Quem determinou esse tempo? Qual é o estudo que foi feito de trânsito para determinar esse tempo? Aquilo ali foi feito algo com a Transalvador, que é o órgão fiscalizador? Como é que a Transalvador vai fazer a fiscalização que é a responsabilidade dela do trânsito naquela localidade. São coisas que tem que ser debatidas", pontuou.
Teor do projeto
O PL proposto por Muniz supre uma lacuna na legislação e evita que empresas se aproveitem das cobranças para impor mais um peso nas contas da população de Salvador.
De acordo com o texto, os administradores dos terminais deverão garantir a organização e a sinalização das áreas de embarque e desembarque, de forma a assegurar a fluidez do trânsito local e preservar a segurança dos veículos.
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Ainda segundo a proposta, poderão ser adotados mecanismos de controle de acesso, desde que não impliquem cobrança ou restrição indevida ao direito de circulação.
Em caso de descumprimento dessas medidas, estão previstas advertência, multa, suspensão da atividade e cassação do alvará.


