BAHIA
Economia circular ganha força no comércio e vira aposta para aumentar competitividade
Encontro promovido pela Fecomércio reuniu empresários, especialistas e convidados


A economia circular como estratégia para aumentar a competitividade de empresas foi tema de um encontro realizado nesta quinta-feira, 3, na Casa do Comércio, em Salvador. O evento marcou a etapa Nordeste do RoadShow Ambição Circular 2026, promovido pelo Sistema Comércio Bahia em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Com o tema “Economia Circular como fator de competitividade”, a programação reuniu empresários, especialistas e convidados para discutir sustentabilidade, novos modelos de negócios e o papel do comércio, do varejo, dos serviços e dos consumidores na transição para uma economia circular.
Fecomércio destaca preocupação com meio ambiente
O presidente da Fecomércio-BA, Kelsor Gonçalves Fernandes, afirmou que a sustentabilidade é uma das prioridades da entidade e relacionou a adoção de práticas ambientais aos impactos provocados por eventos climáticos extremos.
"Nós estamos vendo as dificuldades que o meio ambiente tem vivido com o desmatamento em excesso, com a falta de cuidado e com o lixo. A Fecomércio, além de tudo que a gente já faz na liderança dos empresários, do comércio de bens e serviços, temos essa preocupação. É importante que a gente dê o exemplo. Então, estamos trabalhando e vamos continuar nesse foco", afima.

Kelsor destacou ainda que a entidade busca incorporar soluções sustentáveis aos novos projetos. Entre os exemplos citados estão unidades do Sesc e do Senac que contam ou contarão com recursos como coleta seletiva, geração de energia fotovoltaica e reúso de água.
De acordo com o presidente da Fecomércio-BA, a nova unidade do Sesc na Pituba terá cerca de 90% de autossustentabilidade. Ele também citou a Escola Criativa do Senac como um projeto concebido com foco em sustentabilidade.
“Todos os nossos projetos têm por obrigação de ser o máximo autossustentável possível”, disse.

Letramento é um dos desafios
Para a presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC), Beatriz Luz, a mudança passa inicialmente pelo conhecimento dos diferentes atores envolvidos. Ela apontou três principais desafios para a transição: letramento, engajamento e visão de modelo de negócio.
"Tudo começa no letramento de todos os atores. Então eu preciso saber quais são as oportunidades para eu mudar de atitude e de comportamento. Então a oportunidade e a nossa missão com a Ambição Circular é mostrar a economia circular como um fator de competitividade e diferencial competitivo dentro da nova indústria Brasil", contou.
Ela também destacou a importância da participação do comércio nesse processo, por ser um dos principais pontos de contato entre empresas e consumidores.
"É aquele ecossistema que pode inspirar a mudança, que pode trazer novas experiências de consumo e mostrar que, na verdade, a gente não precisa ter bens, a gente precisa ter uma experiência de uso. A gente não precisa ter um produto, a gente pode ter um serviço que ofereça aquela mesma oportunidade de ter aquela relação com o consumo", disse.

Comércio pode mudar relação com produtos
A especialista em sustentabilidade da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Thainy Bressan, destacou que a economia circular vai além da preocupação com os impactos ambientais.
“A gente está falando desde o momento da concepção do produto, da forma como a gente desenha ele para chegar ao consumidor, mas também da forma como ele vai voltar para se tornar um novo ativo para nossa indústria, mas também para o consumidor”, disse.

Segundo Thainy, a transição exige também uma nova visão sobre competitividade e uma atuação conjunta entre diferentes setores.
“A gente está falando aqui de uma mudança muito grande cultural, mas também da forma de fazer negócio. O setor precisa cada vez mais de uma nova visão de competitividade, uma nova forma de trabalhar com outros parceiros.”