BAHIA
Enfermeiro responderá por morte de bebê no parto

Laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT), divulgado nesta sexta-feira, 30, sobre o caso do bebê João Henrique, que morreu durante o parto no Hospital Luís Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, aponta que o acidente foi resultado de uma série de eventos relacionados.
Os eventos vão desde a concepção das peças (da mesa cirúrgica onde estava a mãe da criança e que caiu durante o parto) até a utilização de parafusos com diâmetro inadequado, comprometendo a estabilidade da conexão e desencadeando o colapso do sistema de sustentação do equipamento, diz o relatório. A morte do bebê aconteceu no dia 23 de maio deste ano.
De acordo com a delegada Eliana Teles, titular da 1ª Delegacia de Porto Seguro, o Monte Tabor, que realiza a administração do hospital, será responsabilizado civilmente e o enfermeiro-chefe Juliano Borges Calixto será indiciado por homicídio culposo, pois, segundo ela, autorizou o uso na mesa que quebrou durante o parto. As assessorias de comunicação do Hospital Luís Eduardo Magalhães e do Monte Tabor informaram que não irão se manifestar sobre o resultado do laudo.
A mãe do bebê, Alcione Teixeira Santos, 28, sofreu traumatismo na região do púbis e na perna direita. Ela não foi localizada nesta sexta no povoado de Pindorama (a 30 km de Porto Seguro), onde mora com a mãe. A advogada da família do bebê, Angélica Massaro, disse que ainda não teve acesso ao laudo e preferiu não fazer comentários.
Segundo o laudo, assinado pelos peritos criminais Luiz Gustavo Andrade Alves e Noelder Andrade de Oliveira, os parafusos encaixados no disco da peça localizada no eixo central da mesa de parto, e também integrante do sistema de sustentação do equipamento, apresentam redução da altura dos filetes, provocada por acoplamento e desacoplamento forçado. Isto fez com que ocorresse a redução do atrito entre o corpo dos parafusos e a parede da peça, reduzindo a capacidade de resistir a esforços.
O que a direção do hospital pode antecipar é que a mesa cirúrgica foi fornecida pelo Estado, na época da inauguração, no final de 1999, e que desde abril de 2003, quando o Monte Tabor assumiu a gestão da unidade, não houve alteração de seus componentes, informou a direção do hospital.
MP - O promotor público estadual Maurício Magnavita declarou que aguarda apenas o envio do inquérito policial para que ele tome as providências. No caso do Monte Tabor, a família da criança pode entrar com uma ação pedindo uma indenização pesada. O Ministério Público Estadual (MP) pode ainda ouvir mais pessoas. É um fato em que pode haver mais de um culpado. Vamos analisar o assunto com muito cuidado, declarou o promotor.
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