BAHIA
Operação desarticula organização criminosa de tráfico de drogas
Criminosos enviavam entorpecentes em malas de fundos falsos no aeroporto de Salvador


Seis pessoas, suspeitas de envolvimento na comercialização internacional de drogas, foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). De acordo com o órgão, o grupo realizava o plantio e produção ilícita dos entorpecentes em imóveis no estado de São Paulo e a droga circulava em aeroportos de diversos estados do Brasil, entre eles, a Bahia, antes de ser exportada para outros países.
Conforme o MPF, as investigações da Polícia Federal (PF), com o auxílio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPF (Gaeco), durante a ‘Operação Olossá’ revelaram que a organização criminosa enviava cocaína para Europa por meio de fundos falsos preparados em malas de viagens despachadas em voos internacionais com destino a Europa e Ásia.
Durante as investigações, foi identificado que os líderes e operadores contratavam pessoas exclusivamente para viajar para a Europa e Ásia transportando o entorpecente em voos que partiam dos aeroportos de Salvador (BA), Guarulhos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e Curitiba (PR). A mesma Organização era responsável pela comercialização, no Brasil, de drogas sintéticas advindas do exterior e pela produção de haxixe em imóveis no estado de São Paulo.
Ainda segundo o MPF, a produção da droga haxixe a partir de plantação própria de Cannabis indoor, bem como para a seleção de sementes/mudas com a intenção de ampliar o cultivo, foram descobertas em um sítio na cidade de Bragança Paulista/SP. Fotografias colhidas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em junho deste ano, mostram a dimensão e a estrutura sofisticada construída para a produção, utilizando sistema de irrigação, iluminação, fertilização e seleção das plantas. Também foi encontrada significativa quantidade de substância entorpecente pronta para venda e consumo.
Os denunciados foram o líder do grupo criminoso, além de outros membros responsáveis pela preparação do local para cultivo de haxixe, pela realização e recebimento de pagamentos, por fazerem contatos com outros traficantes e, também, pela arregimentação de pessoas ("mulas") para transporte da droga.
A análise das mensagens dos aparelhos celulares apreendidos ainda possibilitou a identificação de pessoa que fornecia a droga ecstasy para a Organização, também denunciada na ação penal.
Além da condenação pelos crimes citados, o MPF também requer na denúncia que as medidas cautelares e prisões já decretadas sejam mantidas, que os bens apreendidos sejam confiscados (perdidos) e que os denunciados sejam condenados por danos morais difusos, em razão do prejuízo causado à coletividade e à imagem do Brasil pelas graves condutas criminosas por eles praticadas.
O órgão agora aguarda que a Justiça Federal receba a denúncia para que seja instaurada a respectiva ação penal. Após instaurada, os denunciados passarão a ser réus e caberá ao juiz designado dar seguimento ao processo, o que pode resultar na condenação e na aplicação de penas previstas em lei.