MÊS DA MULHER
Paulista larga tudo e vira sucesso como motorista na Bahia
Concursada em Itanhém, Sheila se apaixonou por Salvador e mudou completamente de vida


O Carnaval e suas histórias. Em 2003, Sheila Santos, de 36 anos, natural de Itanhaém, São Paulo, veio para Salvador aproveitar a festa e se encantou pela capital baiana. "Voltei para minha cidade e pedi para sair do emprego – era concursada – e retornei para começar uma nova vida na cidade que é abençoada por todos os santos”, conta.
Sheila conseguiu um emprego como motogirl e seguiu batalhando. Formou-se em administração de empresas e se pós-graduou em gestão de pessoas. Trabalhava em uma empresa do ramo da construção civil que fechou durante a pandemia.
A garota que aprendeu a dirigir a Kombi do tio aos 14 anos resolveu seguir os passos do pai, que foi motorista de táxi. Após conversar em casa, decidiu com o marido que, a exemplo dele, também seria motorista de aplicativo (ele ainda marca presença nas redes sociais com resenhas do dia a dia do trabalho no perfil @atan_uber). “Como sempre gostei de dirigir e estava sem emprego, então surgiu a oportunidade”, lembra Sheila, que também entende de mecânica: “Sou motorista que o mecânico não enrola”.
No início, ela fazia 35 corridas por dia. Hoje em dia faz em média 12 viagens.
Estratégia
Moradora do Costa Azul, Sheila prefere rodar das 17h às 5h, em média 150 km por dia, e trabalha somente para o Uber para mulheres, o U-Elas. “Assim o perigo é menor”, explica.
De acordo com ela, antes de trabalhar exclusivamente com mulheres, os assédios eram recorrentes. “Pegavam no meu cabelo”, conta Sheila.
Mas também tem o lado bom. A motorista de app conta que levou uma artista da cidade que adorou seu trabalho. “Agora sempre me chama para levá-la para os lugares, levar a família. Meu carro é todo enfeitado com bichinhos de pelúcia e luz de led colorida, que muda conforme a data comemorativa”, conta.
Há dois anos trabalhando com aplicativo, ela afirma que ainda são poucas mulheres que ocupam este espaço. “Talvez seja a falta de respeito dos passageiros, a vulnerabilidade. Mas principalmente questionamentos e ciúmes dos parceiros, maridos, namorados”.
“Você tem que ser a sua motivação e acreditar em si. Eu quero, eu posso e eu consigo”, fala Sheila, que também dirige moto, corre, luta Muay Thai, patina e agora está fazendo curso de Arrais para conduzir embarcações. “Nada me limita”, garante.