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LEVANTAMENTO

Pessoas negras recebem R$ 3 mil a menos que as brancas na Bahia

Números foram levantados pelo Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026

Edvaldo Sales
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Números foram levantados pelo Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026
Números foram levantados pelo Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026 - Foto: Freepik

O Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026, produzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aponta que, na Bahia, as pessoas negras recebem em média R$ 3 mil a menos que as brancas.

Enquanto a remuneração média dos trabalhadores brancos é R$ 9.109,45, negros recebem, em média, R$ 5.934,43.

É importante destacar que, na Bahia, a população negra é majoritária e equivale à maior parte dos vínculos empregatícios (84,2%), mas é sub-representada no mercado de trabalho, especialmente em cargos de liderança, carreiras técnicas mais bem remuneradas e empregos formais com proteção social plena.

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Desigualdade nas mesmas funções

A desigualdade existe mesmo quando as funções exercidas são as mesmas. Segundo o levantamento Síntese de Indicadores Sociais, divulgado pelo IBGE, trabalhadores negros no Brasil ganham menos em todos os grupos ocupacionais quando comparados a trabalhadores brancos. Em cargos de gerência ou diretoria, a diferença é de R$ 3.385.

Além disso, a diferença também aparece na remuneração por níveis de instrução. Em todos os níveis, brancos ganham mais que pretos ou pardos, com maior desigualdade entre pessoas com ensino superior completo. Nessa faixa, brancos ganham cerca de 45% a mais que negros.

Mulheres negras

Para as mulheres negras a desigualdade é ainda maior. Em comparação com o salário médio dos homens não negros, grupo mais bem remunerado, os ganhos das baianas negras são R$ 2.473,89 menores.

A remuneração média dessas mulheres é R$ 2.645,93. Elas representam 286.920 trabalhadoras, o equivalente a 34,4% do total de vínculos empregatícios, sendo o segundo maior grupo, atrás apenas dos homens negros.

Punições

A legislação prevê punições para práticas discriminatórias nas relações de trabalho, inclusive por motivos raciais, como o Estatuto da Igualdade Racial (2010) e as leis 9.029/1995 e 14.532/2023, além da vedação de disparidades salariais pela Constituição Federal.

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