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MADRE DE DEUS

Prefeitura é acusada de criar caos na saúde para justificar contrato

Gestão de Dailton Filho (PSB) teria inflado atendimentos para forçar aluguel com irmã de secretário

Rodrigo Tardio
Por
Dailton Filho, prefeito de Madre de Deus (
Dailton Filho, prefeito de Madre de Deus ( - Foto: Isis Cedraz | AG. A TARDE

O município de Madre de Deus, gestão do prefeito Dailton Filho (PSB), está no centro de uma nova polêmica envolvendo a gestão de recursos públicos na saúde. Documentos protocolados no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) revelam que a Prefeitura, por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde firmou, no último dia 14 de abril de 2025, um contrato de locação de imóvel no valor de R$ 16.500,00 mensais sem a realização de licitação.

A urgência do aluguel, de acordo com a denúncia, teria sido pelo aumento da demanda, já que em 2024, a prefeitura aumentou em 156% a capacidade de atendimentos médicos, saltando de 930 para 2.380 mensais.

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A situação de superlotação, degradação e sofrimento da população no Centro de Especialidades Médicas perdurou por no mínimo dez meses, o que compreendeu o período entre abril de 2024 e fevereiro de 2025. Mesmo sabendo que o espaço antigo não comportaria a nova demanda, a gestão não teria realizado obras, nem buscado novos imóveis via licitação regular.

O fato que agrava a denúncia é o vínculo familiar, uma vez que a proprietária do imóvel, Elaine Cristina Gandarela Guedes, é irmã de Sergio Vagner Gandarela Guedes, o qual ocupava o cargo de Secretário de Governo, braço direito do prefeito nas articulações políticas e administrativas.

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De acordo com o texto protocolado, a influência do secretário de Governo sobre as demais pastas teria facilitado o direcionamento do contrato. Além do parentesco, o imóvel em questão teria exibido materiais de campanha do atual prefeito, Dailton Filho (PSD) nas eleições de 2024, reforçando os indícios de favorecimento político.

Teatro da emergência

O cerne da irregularidade, de acordo com as provas extraídas do sistema e-TCM, não seria a falta de espaço físico, mas uma suposta estratégia deliberada da gestão para burlar a lei de licitações, uma vez que a prefeitura teria realizado esse aumento de 156% na capacidade de atendimentos médicos, saltando de 930 para 2.380 mensais.

O caos resultante teria sido utilizado como justificativa técnica para uma contratação emergencial por inexigibilidade, beneficiando diretamente a irmã do Secretário de Governo.

"Trata-se de uma inversão da ordem lógica. Criou-se o problema para vender a solução sem concorrência", diz um trecho da denúncia.

O credenciamento teria sido publicado em abril de 2024, estabelecendo a ampliação de 18 para 26 especialidades. Ainda de acordo com a denúncia, a administração tinha pleno conhecimento do aumento de 156% na demanda operacional Nenhuma providência teria sido adotada para adequar o espaço físico antes de ampliar os serviços.

Risco sanitário

A denúncia aponta ainda que pacientes aguardavam atendimento em calçadas, expostos ao sol e à chuva, em pleno centro da cidade, configurando situação de evidente violação à dignidade humana.

O risco sanitário era manifesto, com armazenamento inadequado de resíduos infectantes, aglomeração em espaço absolutamente insuficiente e condições degradantes de atendimento que afrontavam os mais elementares padrões de saúde pública.

O que diz a Lei

A contratação viola a Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações). Especialistas apontam que a "singularidade" do imóvel, alegada pela prefeitura, é inexistente, uma vez que o mercado local possui outros prédios aptos.

Sem estudo de mercado ou justificativa técnica robusta, o caso pode ser configurado como improbidade administrativa e crime contra a Administração Pública.

A reportagem procurou a Prefeitura de Madre de Deus e ainda aguarda resposta aos questionamentos.

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Tags

Gestão Pública improbidade administrativa Lei de Licitações Madre de Deus nepotismo saúde pública

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