DISPUTA FUNDIÁRIA
Produtores rurais fecham rodovia após conflitos por terras na Bahia
Mobilização ocorre em meio à retomada de áreas reivindicadas por comunidades indígenas

Trechos da BR-101 foram bloqueados nesta quarta-feira, 18, em diferentes pontos do sul e extremo sul baiano, provocando congestionamentos e afetando motoristas que trafegavam entre estados. Uma das interdições ocorreu no município de Itamaraju, onde produtores rurais protestaram contra ameaças e expulsões que dizem estar sofrendo em propriedades localizadas na região de Prado.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o bloqueio ocorreu nos dois sentidos da rodovia. Manifestantes permitiam a passagem de veículos de forma alternada: a cada duas horas, liberavam 15 minutos para o fluxo no sentido sul e 10 minutos para o norte.
A orientação foi para que motoristas redobrassem a atenção, sobretudo quem retornava do feriado de Carnaval e seguia viagem rumo a estados como Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
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De acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, a mobilização ocorre em meio à retomada de áreas reivindicadas por comunidades indígenas em quatro propriedades rurais na região de Prado. As terras estão dentro da Terra Indígena Comexatibá, que teve portaria declaratória assinada pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado, reconhecendo o território como de posse permanente tradicional.
Apesar disso, o processo administrativo ainda não foi concluído. Segundo o órgão, a indefinição jurídica tem gerado tensão, conflitos e sensação de insegurança na região.
Esse mesmo trecho da rodovia já havia sido bloqueado pelos produtores na terça-feira, 17. Na ocasião, a interdição durou cerca de sete horas e provocou longo engarrafamento.
Segundo bloqueio no sul do estado
Outro ponto de protesto foi registrado em Ibirapitanga, no quilômetro 403 da rodovia, no distrito de Itamarati. Nesse caso, agricultores fecharam a pista utilizando galhos e pneus em manifestação contra a importação de cacau e a queda no preço do produto. A via foi totalmente liberada às 14h25.
A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau informou que a redução no valor não é um fenômeno local, mas resultado de um movimento global iniciado no ano passado, impulsionado pela diminuição do consumo de derivados do cacau.
Já a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia afirmou ter solicitado ao Ministério da Agricultura e Pecuária o reforço da fiscalização sobre navios que importam o produto, além da revisão da Instrução Normativa 125, que estabelece regras para essas operações.
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