BAHIA
Restauração em portal de Morro de São Paulo gera reclamação


A restauração do portal de acesso a Morro de São Paulo, localidade mais famosa do município de Cairu, no Baixo Sul da Bahia, tem causado polêmica. Moradores da região e turistas que frequentam o lugar reivindicam que uma pintura feita na construção tenha desvanecido o aspecto histórico-cultural contido no patrimônio de "boas vindas" da localidade.
No Facebook, as reclamações ainda tomam grandes proporções: "Isso, na verdade, é um crime contra o Patrimônio", escreveu um internauta. "Ficou bem pintadinho, mas será que é isso o sentido de 'preservar'? Parece cultura de botox aplicada ao patrimônio", disse outro.
A reforma é de responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura, do Instituto do Desenvolvimento Sustentável (Ides) e do Governo do Estado, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), da Secretaria de Turismo (Setur), da Secretaria de Cultura (Secult) e da Secretaria do Trabalho Emprego Renda e Esporte (Setre). Também participa da ação a Prefeitura Municipal de Cairu e a comunidade local por meio de algumas organizações sociais.
Diretora do Ides, Liliana Leite destaca que o serviço visa não só a recuperação do portal e, sim, a restauração de toda a Fortaleza do Morro de São Paulo. Ela também alega que, antes de ser realizado, o projeto passou por um "processo minucioso e detalhista" para não danificar a construção e ainda preservar a identidade do patrimônio. "O projeto de restauro foi elaborado por arquitetos com larga experiência nesta especialidade", defendeu.
Conforme o Ides, o projeto de restauração e readequação foi dividido em algumas fases. A etapa 1 contemplou a recuperação estrutural da muralha ao longo dos 678 metros do monumento, entre os anos de 2009 e 2010. Já a etapa 2 do serviço está em andamento e será concluída ainda no primeiro semestre deste ano, com reformas do Portaló, do Corpo da Guarda, do Forte da Ponta e do caminho ao longo da muralha.
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), toda e qualquer obra pode passar por restauração, desde que o serviço seja previamente aprovado pelo órgão que efetuou o tombamento da construção. A aprovação depende do nível de preservação e está sempre vinculada à necessidade de serem mantidas as características históricas.
"A maioria dos órgãos de preservação fornece gratuitamente orientação aos interessados em executar obras de conservação ou restauração em bens tombados", explica o Iphan em nota no site oficial.
Construída em 1630, a Fortaleza do Morro de São Paulo é um monumento histórico tombado pelo Iphan em 1938.
A reportagem do Portal A TARDE entrou em contato com a Setur por meio de email às 20h desta sexta-feira, 10, após o horário de expediente da assessoria do órgão. Nesta segunda, 13, a assessoria da secretaria ressaltou que a restauração da fortaleza foi devidamente planejada pelas entidades competentes.
"O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura, Instituto do Desenvolvimento Sustentável (Ides) e do Governo do Estado, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), têm feito um excelente trabalho de orientação das ações para este projeto. A intervenção exigiu, entre outros detalhes, mão de obra especializada em restauro", explicou a Setur em nota.