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CAUTELA

Rui diz que é "impossível" realizar Carnaval em 2022

Governador pregou cautela para novas flexibilizações e afirmou ver riscos em uma festa com 3 milhões de pessoa

Cássio Santana
Por Cássio Santana
| Atualizada em

O governador Rui Costa (PT) oficializou, nesta quinta-feira, 23, o cancelamento do Carnaval em todo o estado em 2022. A avaliação do mandatário é que com a variante Ômicron em circulação, aumento de 50% na ocupação de leitos de UTIs e elevação no número de casos ativos para Covid-19 no estado, tornou-se praticamente inviável a realização da festa momesca nos moldes tradicionais.

"Se no início de dezembro estava difícil fazer o Carnaval, agora ficou impossível. Sou responsável e não autorizaria Carnaval nestas condições. Alguém falar de Carnaval a essa altura do campeonato está querendo ser irresponsável com a vida humana e eu não estou nesse grupo", declarou o governador durante evento de inauguração da reforma da emergência do Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador

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Mais tarde, em conversa com a CNN Brasil, Rui afirmou que o surto de gripe que assola o país não dá sinais de arrefecimento, o que seria outro obstáculo à realização de grandes festas. “Para piorar a situação, o Brasil enfrenta essa gripe, que tem se mostrado muito forte, levando pessoas a internamento hospitalar, em situação grave. Já tivemos dois óbitos registrados dessa gripe”.

“São duas pandemias em uma e seria impossível fazer um evento para 3 milhões de pessoas nessas condições. Seria não ter responsabilidade nenhuma com a vida humana e com a saúde pública’, atalhou o governador, que admitiu que o estado não tem “condições de organizar um evento nos moldes do maior carnaval do Brasil e do planeta”.

De acordo com o governador, em janeiro o governo do estado irá se reunir com as prefeituras para discutir opções ao carnaval tradicional. O petista informou ainda que vai avaliar, junto com os municípios, a criação de algum tipo de benefício para os trabalhadores que tira seu sustento da festa. “Nós vamos nos reunir com as prefeituras em janeiro para saber o que pode ser feito, mas o carnaval nos moldes que conhecemos não será possível”, disse.

A prefeitura de Salvador ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. No entanto, em conversa com o jornal Folha de S. Paulo, o secretário municipal de Cultura e Turismo, Fábio Mota, adiantou que a decisão do governo do estado inviabiliza a festa, já que o executivo estadual é o responsável pela segurança pública. "Sem a Polícia Militar, é impossível ter o Carnaval", afirmou.

Preocupação

O presidente do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar), Flávio Emanoel, afirmou que a economia baiana sairá perdendo com mais um ano sem festa. De acordo com ele, a parte mais afetada pela medida é a classe trabalhadora.

"Estou falando dos mototaxistas ambulantes, garçons, o proletariado. A gente entende a preocupação do governador, mas nos preocupa muito o pós verão sem o Carnaval mais um ano em Salvador", disse em entrevista ao programa Bahia Meio Dia.

Emanoel afirmou que a sensação no conselho é de ‘abandono’ e sustenta que não houve diálogo com a prefeitura nem com o governo do estado. "A gente quer conversar com o governador, com o presidente da Bahiatursa, com o prefeito, para a gente que faz parte do Comcar, poder estar dividindo, acrescentando e dialogando, mas infelizmente até o momento o Comcar não foi recebido nem pelo governo do estado, nem pela prefeitura. Das 32 cadeiras que represento, e ouço, eles estão se sentindo abandonados por não terem nos recebido ainda"., reclamou.

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