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INCIDENTE COM TUBARÃO

Tubarão em Salvador? Biólogo explica se casos de Recife podem se repetir na Bahia

Os casos acenderam um alerta para os soteropolitanos

Franciely Gomes
Por
Tubarão-branco gigante fotografado no Havaí
Tubarão-branco gigante fotografado no Havaí - Foto: AFP | OceanRamsey

Os ataques de tubarões a dois banhistas de Recife acenderam um alerta para todo o Nordeste nesta semana. Estado vizinho de Pernambuco, a Bahia virou alvo de especulações sobre a possibilidade de incidentes deste tipo em seu litoral, que é considerado o maior do Brasil, com mais de 1.000 km de extensão.

Habitada por cerca de 30 espécies de tubarões, a costa baiana não costuma registrar um histórico de casos graves envolvendo estes animais. De acordo com matérias publicadas na mídia, o último ataque de tubarão confirmado contra um banhista no estado da Bahia ocorreu em fevereiro de 2005, na praia de Luzimares, litoral norte de Ilhéus.

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Estes animais costumam se concentrar em áreas isoladas de mar aberto e de forma passageira, evitando chegar à costa habitável por banhistas. Quando surgem em áreas próximas à terra firme, como na praia Porto da Barra, é sinal de que há algum desequilíbrio na região marinha.

Salvador pode ser alvo de ataques?

Em entrevista concedida a reportagem do portal A TARDE, o biólogo Luiz Eduardo Reis explicou que Salvador não é uma rota comum dos tubarões como Recife, devido às características do ecossistema local.

“Recife é um ambiente que apresenta desequilíbrios ecológicos. Já Salvador, embora sofra impactos relacionados à pesca e à poluição, não possui registro de incidentes desse tipo”, disse ele.

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“Atualmente, não vejo um cenário em que Salvador se torne uma "nova Recife" nesse aspecto. Fernando de Noronha é um exemplo interessante. Trata-se de um ambiente equilibrado e com águas mais limpas, onde mergulhamos frequentemente na presença de diversos tubarões sem que ocorram incidentes”.

Mestrando da Universidade de São Paulo (USP), com foco em Fisiologia de Tubarão, ele reforçou que é preciso um desequilíbrio ambiental no local para trazer este tubarões para a costa marítima.

“Embora o aquecimento global e outras mudanças ambientais possam influenciar a distribuição das espécies, os maiores índices de incidentes costumam ocorrer em locais onde há desequilíbrio ambiental”.

“Um dos principais riscos para os tubarões atualmente continua sendo a pesca. Muitas espécies são protegidas por lei, mas essa legislação frequentemente não é respeitada e a fiscalização ainda é insuficiente”, completou.

Porque tubarões mordem humanos?

Após uma jovem, de 19 anos, e uma criança de 11 anos, terem os membros mordidos por tubarões, surgiram diversas dúvidas sobre o motivo por trás dos supostos ataques contra seres humanos.

Luiz Eduardo afirmou que os animais não costumam ver os humanos como presas comuns e só mordem quando não conseguem distinguir a movimentação deles com a de outros animais, devido a poluição da água turva.

“As águas das praias da região metropolitana são bastante turvas. Da mesma forma que não conseguimos enxergá-los, eles também não conseguem nos enxergar adequadamente. Isso aumenta a possibilidade de ocorrer uma mordida exploratória, utilizada para identificar se aquilo que estão percebendo é uma presa ou não”, afirmou.

“Diferentemente de nós, eles não possuem mãos para distinguir um pão de uma pedra. Não fazemos parte de sua dieta, tanto que, na maioria dos casos, mordem e soltam em seguida. O que muitas pessoas não entendem é que, se um tubarão-tigre ou um tubarão-cabeça-chata estivesse realmente caçando um ser humano, as chances de sobrevivência seriam mínimas”.

Apesar dos casos recentes, o biólogo garantiu que o número de mortes causadas por tubarão anualmente é menor do que o de outros animais. “A média anual de mortes causadas por ataques de cães é de aproximadamente 30 mil pessoas. Já a média anual de mortes por incidentes envolvendo tubarões varia entre 8 e 12 pessoas em todo o mundo”, concluiu.

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