BAHIA
Varejo baiano terá crescimento em 2023, aponta Fecomércio
Com discurso de cautela diante de pautas políticas, Federação apresenta perspectivas econômicas para o ano


O setor varejista baiano terá crescimento de 1% em 2023, na relação com 2022, aponta levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (Fecomércio-BA) divulgado nesta terça-feira, 28.
No entanto, em 2022, foi registrada uma queda de 4,3%, na relação com o ano de 2021. Este ano, o faturamento do setor no estado foi de R$ 116,2 bilhões de reais. O que representa a perda de 5,2 bilhões de reais na relação com o ano anterior.

Apesar dos números, o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, diz que a perspectiva de 2023 para o segmento na Bahia é positiva, em especial para os setores que não dependem do crédito, a exemplo de alimentos e farmácia.
"O espírito que o Carnaval trouxe para a Bahia de uma certa sensação de normalidade. E isso traz o otimismo. O setor que precisa de crédito vai mal, enquanto setores que não precisam, estão indo bem. O setor de farmácia está em expansão, por exemplo. O desafio com o crédito é o fato da taxa média de juros, que dificulta comprar um imóvel, financiar um carro", explica Dietze.
O economista destaca que a partir de março, quando o Governo Federal começa a pauta no Congresso mecanismos como a reforma tributária, além de questões como o debate sobre a independência do Banco Central, e a retomada dos impostos federais dos combustíveis, que foi anunciada esta semana.

O cenário da economia no âmbito nacional é ainda mais cauteloso, estima o economista Guilherme Mercês. Ele prevê que o governo precisa chegar em abril e maio com a inflação baixa. Caso contrário, será difícil controlar a inflação do país.
"A gente teve lockdown causado pela pandemia, falta de insumos, problema de oferta com o aumento da demanda causada por cenários com a Guerra na Ucrânia. [...] O Brasil cresceu mais em 2022 e deve crescer menos em 2023, na linha de comportamento dos países desenvolvidos. Nos emergentes, houve o menor crescimento no último ano e a perspectiva de avanço no seguinte. É quase certo que o país deve crescer menos de 1% este ano. E temos uma varejo que terá uma missão difícil para crescer", acrescenta o economista.
O presidente da Fecomércio-BA, Kelsor Fernandes, alertou que o debate sobre o crescimento econômico do país, bem como o setor varejista, precisa caminhar acompanhado de soluções que causem o verdadeiro impacto na vida da população que vive em situação de vulnerabilidade social.
"Do ponto de vista histórico, não existe um projeto de distribuição de renda no país, fora o Bolsa Família, que pode causar um ciclo vicioso, caso a gente não faça as reformas que são necessárias. Além disso, é essencial o investimento em educação, na capacitação dos nossos jovens. Sem isso, eles acabam perdendo a esperança", disse o presidente.