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Após entregar chave a Deus, prefeito de cidade baiana pede desculpa

Felipe Resk | Estadão Conteúdo
Por Felipe Resk | Estadão Conteúdo
| Atualizada em

Após decidir entregar a Jesus Cristo a chave de Guanambi, cidade de 86 mil habitantes no interior da Bahia, e também "cancelar todos os pactos realizados com qualquer outro Deus ou entidades espirituais", o prefeito do município, Jairo Magalhães (PSB), pediu desculpas. Em nota, disse que "não estará na contramão da sociedade brasileira" e que "a pluralidade e a diversidade religiosa será (sic) respeitada em toda a gestão".

Em seu primeiro ato à frente de Guanambi, Magalhães publicou um decreto que foi alvo de críticas por confrontar a laicidade do Estado. Na decisão, o prefeito afirmou ter sido "designado por Deus" e estabeleceu que "todos os Principados e Potestades, governadores deste mundo tenebroso, e as forças espirituais do mal, nesta cidade, estarão sujeitas (sic) ao Senhor Jesus Cristo de Nazaré".

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"Declaro que esta cidade pertence a Deus e que todos os setores da prefeitura municipal estarão sobre a cobertura do Altíssimo", diz o Decreto Nº 1, publicado no Diário Oficial de Guanambi na segunda-feira, 2, que finaliza: "E a minha palavra é irrevogável!". No dia seguinte, Magalhães voltou atrás e pediu desculpas.

Na nota, o prefeito nega ter ferido o princípio de laicidade do Estado e diz que "não teve como intenção causar nenhuma dissensão ou debate de cunho religioso". "A real intenção da publicação, diante do ambiente de intolerância e assustadora violência que atormenta as famílias e a sociedade, foi de apelar a todas as crenças, suplicando a mesma proteção de Deus, que é rogado na nossa Constituição", afirma o comunicado.

Também diz que respeita "todos os credos" e que "sempre defendeu e ajudou a aprovar por meio do seu voto, parcerias e projetos de interesse social, com as mais diversas entidades religiosas, ou não". Antes de assumir a prefeitura, Magalhães foi vereador e presidente da Câmara da cidade.

Recorrente

O Decreto Nº1 de Magalhães é copiado, quase letra por letra, de um decreto da prefeita Ilma Grisoste (PSD), que perdeu a última eleição em Sapezal, em Mato Grosso, e assinou o documento dias antes de deixar o cargo. Em 2011, a prefeita Carmen Lima Duarte (DEM), de Porto dos Gaúchos, também em Mato Grosso, entregou a chave da cidade a Jesus. Na ocasião, ela convidou líderes religiosos para simbolicamente receber a homenagem.

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