RECIPROCIDADE
Brasil expulsa agente dos EUA após saída de delegado
Itamaraty adota princípio da reciprocidade em resposta à decisão de Washington de expulsar brasileiro

O governo brasileiro determinou a saída imediata do agente de imigração americano Michael William Myers do país. A medida, confirmada por fontes diplomáticas, é uma resposta direta à expulsão do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho pelos Estados Unidos.
Myers deixou Brasília na última quarta-feira, 22, consolidando um dos episódios de maior tensão diplomática entre as duas nações nos últimos anos.
A crise foi desencadeada pela atuação de Carvalho em Miami, onde servia como oficial de ligação junto ao ICE (Immigration and Customs Enforcement). O governo americano acusou o delegado brasileiro de agir irregularmente no monitoramento que levou à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado no Brasil por tentativa de golpe de Estado.
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Reciprocidade e críticas
O Itamaraty comunicou a decisão à encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, Kimberly Kelly, na terça-feira, 21. Em nota oficial publicada nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores criticou a "decisão sumária" de Washington, afirmando que ela ignora "a boa prática diplomática de diálogo entre nações amigas" e descumpre o memorando de entendimento bilateral de cooperação policial.
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema para contornar pedidos formais de extradição", afirmou, por outro lado, o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, justificando a expulsão do brasileiro como forma de impedir "perseguições políticas" em seu território.
Caso Ramagem
O pivô da disputa, Alexandre Ramagem, foi detido nos EUA após uma infração de trânsito, momento em que se constatou que seu visto havia sido cancelado. Ramagem, que alega sofrer perseguição política, pleiteia asilo no país.
Embora a PF brasileira defenda que a prisão resultou de "cooperação internacional", o Departamento de Estado americano interpretou a presença do delegado Carvalho como uma tentativa de contornar os trâmites legais de extradição.
Silêncio
A Embaixada Americana e a Polícia Federal brasileira informaram que não possuem declarações oficiais no momento. Michael Myers estava no Brasil desde o início de 2024 e teve as credenciais retiradas pela PF antes mesmo da oficialização da saída pelo Itamaraty.
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