Busca interna do iBahia
HOME > BRASIL

BRASIL

Carga de remédios para câncer é roubada em São Paulo

Clarissa Thomé | Estadão Conteúdo
Por Clarissa Thomé | Estadão Conteúdo
| Atualizada em

Uma carga de medicamentos contra câncer, avaliada em R$ 5 milhões, foi roubada quando era transportada para a Fundação para o Remédio Popular (FURP), em São Paulo. O Instituto Vital Brazil (IVB), laboratório produtor do remédio, ligado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio, informou que o crime ocorreu em 16 de novembro, mas somente dez dias depois foi notificado pela transportadora.

O IVB vai processar a empresa Airway Transporte.

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

"Dez dias depois do ocorrido fomos informados de que houve um extravio. Somente cinco dias mais tarde deste aviso, é que a transportadora disse que havia ocorrido roubo. Nossa abordagem teria sido completamente diferente, teríamos mobilizado a imprensa, porque essa carga não tem valor comercial. Cada caixa tem a inscrição de que é proibida a sua venda. Mas depois de duas semanas, não sabemos em que condições o remédio foi armazenado", afirmou o presidente do IVB, Edmilson Migowski.

O medicamento Imatinibe é usado para leucemia mieloide crônica e tumor de intestino. "Nossa preocupação maior foi em relação ao risco de desabastecimento. Mas o Ministério da Saúde tinha estoque estratégico e tínhamos parte do produto já pronto. Não faltou medicamento para os pacientes de São Paulo", afirmou Migowski. A informação foi confirmada pela Secretaria de Saúde de São Paulo.

De acordo com a Airway, a carga de 86 mil comprimidos saiu do depósito em um Fiat Fiorino descaracterizado, e o motorista foi rendido por homens armados, na tarde de 16 de novembro, na Mooca. O veículo era operado por uma empresa representante da Airway em São Paulo.

"A Polícia Civil acredita que os assaltantes sabiam o que era transportado", afirmou o advogado da Airway Transporte, Cristiano de Freitas Fernandes. "A empresa representante da Airway nos informou que a carga havia sido roubada às 13h30, mas o Boletim de Ocorrência registra que o assalto foi às 15h30. Essa contradição precisa ser esclarecida".

Segundo Fernandes, houve "ruído de comunicação" com o Vital Brazil. "Não foi comunicado extravio. O roubo foi informado por telefone ao Vital Brazil no dia em que ocorreu. Como essa informação chegou ao presidente internamente não podemos dizer", afirmou.

Migowski criticou ainda o fato de outra empresa ter feito o transporte, em São Paulo, quando o contrato com a Airway proíbe a terceirização do serviço. O advogado informou que a empresa é a responsável pelo contrato com o Vital Brazil, mas tem parcerias com transportadoras em todo o País. "Nenhuma empresa de transporte no Brasil tem capacidade de cumprir contratos em todos os Estados sem parcerias regionais. Só os Correios", afirmou.

O presidente do IVB informou que vai se reunir com representantes da transportadora para discutir o ressarcimento dos R$ 5 milhões ao instituto. Segundo Fernandes, no entanto, a seguradora estaria se recusando a pagar o valor por causa de uma cláusula contratual, que prevê que a mercadoria não pode ficar mais de dois dias estocada. Os remédios ficaram sete dias no depósito em São Paulo.

"A demora foi provocada pelo próprio instituto, que não deu a ordem final para a entrega. Mas essa é uma cláusula espúria. O roubo não ocorreu no depósito. Vamos acionar a seguradora na Justiça", afirmou.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas