DADOS IBGE
Casamento virou passado: uniões consensuais dominam o Brasil
Segundo o IBGE, 35,1 milhões de brasileiros vivem em união consensual, sem formalizar o casamento

Por Andrêzza Moura

O Brasil está vivendo uma transformação silenciosa, mas profunda, na forma como organiza suas relações conjugais. Pelo menos, é o que aponta os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela primeira vez, mais brasileiros vivem em união consensual - sem formalização civil ou religiosa - do que em casamentos tradicionais.
Segundo o órgão, em 2022, essas uniões representavam 38,9% das relações, envolvendo cerca de 35,1 milhões de pessoas. Há 22 anos, em 2000, apenas 28,6% das uniões eram consensuais. Já os casamentos civis e religiosos caíram de 49,4% para 37,9% no mesmo período.
Ainda conforme o leventamento, o casamento somente civil teve ligeiro aumento, passando de 17,5% para 20,5%, enquanto o casamento religioso isolado recuou de 4,4% para 2,6%. Tomando como base os dadaos do passado, o resultado atual mostra uma mudança radical: em 1960, mais de 60% das relações eram formalizadas, enquanto apenas 6,4% eram consensuais.
E são os mais jovens que vêm impulsionando essa mudança. As uniões consensuais predominam entre pessoas de 20 a 29 anos, 24,8% vivem sem casamento formal, enquanto os casamentos formais somam apenas 5,8%. Na faixa de 30 a 39 anos, 28,5% optam pela união consensual, superando os 17,8% que se casaram. Por outro lado, em faixas etárias mais altas, os casamentos civis e religiosos ainda predominam.
Perfil socioeconômico
O perfil socioeconômico revela outra característica marcante, quanto menor o rendimento, maior a tendência a formar união consensual. Entre os que ganham até um salário mínimo, essas uniões são mais comuns que qualquer outro tipo de casamento.
A religião também influencia: 62,5% dos casais sem religião vivem em união consensual, contra 40,9% entre católicos e 28,7% entre evangélicos.
Para os pesquisadores do IBGE, a mudança reflete novos comportamentos e escolhas individuais. Luciane Barros Longo observa que “a união consensual é um fenômeno mais jovem e ligado à população de menor renda”. O Supremo Tribunal Federal reforçou esse cenário em 2017, reconhecendo que a união estável possui os mesmos direitos jurídicos do casamento, inclusive sucessórios, embora não altere o estado civil do indivíduo.
O Censo também mostra que mais da metade da população brasileira vive em alguma relação conjugal - 51,3% das pessoas com 10 anos ou mais, ou cerca de 90,3 milhões de indivíduos. Entre os que nunca viveram em união, o percentual caiu para 30,1% em 2022, enquanto aqueles que já tiveram união anterior e não vivem mais juntos subiu para 18,6%.
Dado alarmante
Um dado que chama atenção é a existência de 34,2 mil crianças entre 10 e 14 anos vivendo em união conjugal, 77% delas do sexo feminino. Segundo os pesquisadores do IBGE, esses números concentram-se nas idades mais próximas de 14 anos, mas não permitem conclusões detalhadas sobre a natureza das uniões sem estudos específicos.
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A idade média da primeira união para brasileiros acima de 15 anos é de 25 anos, reforçando que a união consensual não é apenas um fenômeno jovem, mas também uma escolha que reflete maior flexibilidade nas relações. O cenário aponta ainda para uma sociedade em que o casamento formal deixa de ser regra, e a decisão de viver junto sem formalidades passa a ser aceita, legalmente reconhecida e socialmente comum.
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