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Exame toxicológico da CNH: após polêmicas, saiba quanto do cabelo é cortado
Vídeos de falhas em exames toxicológicos para CNH geram dúvidas


Vídeos mostrando candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) com grandes falhas no couro cabeludo após a realização do exame toxicológico têm repercutido nas redes sociais e levantado dúvidas entre motoristas que ainda vão passar pelo procedimento. O exame passou a ser cobrado para os postulantes a carteiras A e B neste ano, antes sendo restrito somente aos profissionais que trabalham dirigindo.
Embora a coleta faça parte da rotina dos laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), especialistas afirmam que a retirada de grandes mechas de cabelo ou a formação de "buracos" na cabeça não faz parte do protocolo previsto para o exame.
O caso ganhou repercussão após uma candidata na Paraíba denunciar que teve duas grandes mechas cortadas durante a coleta. Posteriormente, o próprio laboratório reconheceu falhas no procedimento e chegou a um acordo para reparar os danos causados à cliente.

Quanto cabelo realmente pode ser cortado?
Em entrevista ao portal A Tarde a representante do Laboratório Bem Saúde, Thais Souza Conceição, explica que normalmente é retirada apenas uma mecha equivalente à espessura de uma caneta.
"No cabelo da cabeça é retirada uma mecha equivalente à espessura de uma caneta. Não precisa daquela quantidade absurda que algumas pessoas estão mostrando", afirmou.
Segundo ela, quando a coleta é feita em pelos do corpo, a quantidade retirada corresponde aproximadamente ao volume de duas pequenas bolas de algodão. O cabelo da cabeça deve possuir pelo menos 3,5 centímetros para permitir a análise.
A orientação é semelhante à prevista pelos protocolos da Senatran, que determinam que os fios sejam retirados de forma discreta, preferencialmente na região posterior da cabeça, justamente para evitar falhas visíveis.
Justo na minha vez tenho que passar por isso ?? 😭😭 pic.twitter.com/kGAx99d66X
— Helena (@lenazeroh) July 15, 2026
Não tenho cabelo. Posso fazer o exame?
Caso o candidato tenha cabelo muito curto ou seja calvo, a legislação permite que a coleta seja realizada em outras partes do corpo.
Entre os locais autorizados estão pelos de outras partes do corpo, como:
- perna;
- braço;
- axila;
- tórax;
- região pubiana.
Quando não há qualquer tipo de pelo corporal por motivos médicos, como casos de alopecia comprovada por laudo dermatológico, a coleta pode ser feita nas unhas.
A representante do laboratório explica que, na prática, a coleta pelas unhas é bastante rara e depende da comprovação médica da condição do candidato.
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Pintar ou alisar o cabelo interfere no resultado?
De acordo com Thais Souza Conceição, procedimentos químicos como tintura, progressiva, cremes e desodorantes capilares não alteram o resultado do exame.
Ela explica que o material passa por um processo de limpeza antes da análise laboratorial, permitindo que sejam identificadas apenas substâncias presentes no organismo.
"A limpeza é feita antes da análise. O que será identificado são substâncias ilícitas e alguns medicamentos específicos", explicou.
Quanto tempo o exame consegue identificar drogas?
O exame toxicológico utilizado para a CNH possui uma chamada "larga janela de detecção".
Segundo o laboratório ouvido pela reportagem, normalmente a análise cobre os últimos 90 dias, mas pode alcançar até cerca de seis meses dependendo do comprimento dos pelos coletados.
A própria regulamentação da Senatran estabelece que a janela mínima seja de 90 dias anteriores à coleta.

O que fazer se o laboratório errar?
Caso o candidato sofra dano estético durante o procedimento, especialistas em direito do consumidor apontam que o laboratório pode ser responsabilizado civilmente.
Além de registrar fotos do problema, é recomendável guardar comprovantes da coleta, solicitar explicações ao estabelecimento e registrar formalmente a reclamação.
Dependendo do caso, o consumidor poderá buscar reparação por danos materiais, morais e estéticos na Justiça.
Foi exatamente esse caminho seguido pela candidata da Paraíba, que registrou boletim de ocorrência após o procedimento e, posteriormente, firmou acordo com o laboratório responsável para custear tratamento capilar, acompanhamento psicológico e outras medidas relacionadas aos danos sofridos.

Motoristas relatam experiência tranquila
Apesar da repercussão dos casos nas redes sociais, motoristas profissionais ouvidos pelo A Tarde afirmam que nunca tiveram problemas durante a realização do exame.
O caminhoneiro Tiago Alves, que trabalha há 17 anos na profissão, conta que a coleta foi rápida e realizada nos pelos da perna.
"Foi super tranquilo e muito rápido. O que for para melhorar a segurança no trânsito eu acho válido", afirmou.
Já o caminhoneiro Uanderson Alves, que dirige há 19 anos, considera importante que a obrigatoriedade seja ampliada para todas as categorias de habilitação.
"É um procedimento normal como qualquer outro exame. Acho importante que seja exigido para qualquer categoria", disse.


