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CORRUPÇÃO

PCC corrompia agente da Receita Federal para liberar cargas de drogas

Segundo a PF, R$ 500 mil por cada liberação de voo feita pelo agente corrupto

Redação
Por Redação
| Atualizada em
Avião do PCC que transportava a droga
Avião do PCC que transportava a droga - Foto: Divulgação | PF

Uma matéria publicada pelo site Metrópoles, neste sábado, 22, expôs um esquema de tráfico de drogas para a Europa partindo de Roraima que era operado por meio de pagamento de suborno no Aeroporto Internacional de Boa Vista. Conversas em um aplicativo de mensagens entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e integrantes de uma célula especializada em despachar cargas milionárias de cocaína para a Europa pelo mar, sugerem que a facção criminosa contava possivelmente com a ajuda de agentes da Receita Federal (RF) corrompidos, de acordo com investigações da Polícia Federal (PF).

Após uma apreensão de 322 kg da droga feita pela Receita, escondidas em meio a uma carga de cerâmica, no fim de 2020, o líder do grupo criminoso enviou uma mensagem para um comparsa. Na conversa, segundo a PF, ele diz que ainda estava tentando entender como ocorreu a descoberta da cocaína.

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A Receita divulgou a apreensão, informando que a carga foi encontrada com a ajuda de escâneres. Foi a 18ª operação do tipo no Porto de Paranaguá, no Paraná, em 2020, ano em que foram apreendidas pelo órgão federal quase 5,9 toneladas de cocaína — sempre ocultas em contêineres —, indicando o uso frequente do local por grupos criminosos.

A metodologia utilizada pelo PCC para enviar cocaína via marítima é denominada de rip-on/rip-off. Por meio dela, a carga ilegal é escondida na carga lícita, sem que o exportador saiba. Os criminosos, neste caso, optavam por cargas de cerâmica, madeira ou vasos sanitários, uma tentativa de driblar a fiscalização, já que esse tipo de produto não fica nos radares da fiscalização.

Avião do PCC que transportava a droga
Avião do PCC que transportava a droga - Foto: Divulgação | PF

Um profissional do Porto de Paranaguá está sendo investigado por supostamente fornecer informações privilegiadas ao grupo criminoso chefiado por Willian Barile Agati, conhecido como o PCC.

De acordo com as trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal, o "planner" - cuja identidade não foi divulgada - era responsável pelo planejamento e controle do processo logístico do terminal de contêineres do porto paranaense. Com isso, ele repassava informações sobre o destino e a localização de cargas nas quais a cocaína poderia ser escondida

Um esquema de tráfico de cocaína foi desvendado pela Polícia Federal, envolvendo o administrador do aeroporto de Boa Vista, em Roraima, Werner Pereira da Rocha. Ele é acusado de ajudar a célula de Senna a encaminhar cargas de cocaína para a Europa, recebendo R$ 250 mil por viagem viabilizada.

As investigações revelaram que as drogas eram enviadas em voos particulares para a Bélgica e, em seguida, encaminhadas para a Grã-Bretanha por via terrestre. Além disso, foi descoberto que um agente da Receita Federal recebia mais de R$ 500 mil por cada liberação de voo feita para o tráfico.

A defesa de Agati, um dos envolvidos no esquema, afirma que ele é inocente e não tem conexão com o PCC ou a máfia italiana. No entanto, a investigação continua, e a defesa de Werner da Rocha ainda não se manifestou.

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