ETARISMO
Preconceito de estudantes contra colega por conta da idade gera debate
Nome é dado ao preconceito relacionado à idade como caso ocorrido em São Paulo


Um vídeo de três alunas da Unisagrado, universidade em Bauru, São Paulo, tem chamado atenção da população e levantando discussão sobre etarismo, que é o nome dado à discriminação e ao preconceito relacionado a idade. As estudantes de biomedicina da debocham de uma colega por ela ter mais de 40 anos.
“O Brasil já é um país de velhos, a partir de 7% da população sendo idosa no país”, conta Marta Lopes, assistente social e presidente da Associação Nacional de Gerontologia seção Bahia.
Mesmo tendo uma população mais velha, o costume de fazer piadas e ridicularizar pessoas em idade já avançada acaba sendo naturalizado. As três alunas utilizaram do humor para mencionar que gostariam desmatricular a colega de classe, além de insinuar que ela “faz o professor de Google”.
“Eu enxergo como uma falta de empatia, de respeito humano, falta de conhecimento e informação sobre o que é o envelhecimento e também uma predominância de mitos negativos sobre o tema”, Marta afirma.
A assistente social também reitera que a vítima não é considerada velha do ponto de vista da ciência nem do social. Para os países em desenvolvimento, 60 anos é a idade considerada como idosa, enquanto em países desenvolvidos a faixa etária é alcançada aos 65 anos.
Ainda segundo Marta, a convivência intergeracional agrega no combate a esse tipo de caso, já que a troca de conhecimento entre gerações é fundamental.
Para Lívia Tomé, 21 anos, estudante de comunicação social, o etarismo deve ser enfrentado e levado mais a sério. “As pessoas acham que só porque é mais velha não tem direito de recomeçar, de fazer o que quer. Discriminar elas pela idade é um absurdo”, comenta a estudante que também expõe que já teve colegas de classe mais velhas que ela, mas que isso nunca foi um problema.
Costume
Marta Leiro, assistente social e membro da equipe do 8M e do Coletivo de Mulheres do Calafate (CMC), afirma que existe o mau costume de descartar as pessoas que já contribuíram para a sociedade e que as garotas no vídeo agiram como porta-vozes de uma sociedade preconceituosa.
Ela relata que frequentou a faculdade com idade acima de 40 anos e que o preconceito não vinha só de colegas de classe, mas inclusive dos docentes. “Não somos chamadas para trabalhos em grupo. Parece que os grupos mais novos adotam os mais velhos por pena”.
Segundo ela, é preciso ter muita força interior para continuar o curso e que se a pessoa realmente quiser, precisa ter foco e não se deixar levar pelo o que acham.
Gabriel da Mota, 21 anos, estudante de direito, já teve um colega de classe de 70 anos e conta que havia uma certa restrição da turma com o colega. Segundo ele, as pessoas achavam que o estudante mais velho não poderia produzir tanto quanto uma pessoa mais jovem. “Eu agi de forma acolhedora, porque senti o repúdio que as pessoas tinham por essa pessoa, falei 'não, eu faço o trabalho com você', estendi a mão, fui parceiro, aprendi muito com essa pessoa e essa pessoa aprendeu muito comigo.”, conta.
*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira