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CONDENAÇÃO

Rede de varejo famosa no Brasil é condenada em R$ 100 mil por racismo

Funcionária contou que era alvo constante de comentários com referências à escravidão

Edvaldo Sales

Por Edvaldo Sales

28/03/2026 - 8:09 h

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Funcionária contou que era alvo constante de comentários com referências à escravidão
Funcionária contou que era alvo constante de comentários com referências à escravidão -

A indenização que a Havan deverá pagar a uma operadora de caixa que sofreu ofensas racistas no trabalho, tratadas como “brincadeiras”, foi aumentada para R$ 100 mil pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). O caso aconteceu na cidade de São José, em Santa Catarina.

O ministro Agra Belmonte, relator do caso, aplicou o protocolo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que orienta decisões com perspectiva racial e classificou a conduta como ilegal e inaceitável.

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A trabalhadora contou que era alvo constante de comentários com referências à escravidão, como “melhora essa cara para não ir para o tronco” e “para não tomar chibatadas”.

Em um dos momentos relatados pela vítima, o chefe mostrou a imagem de uma mulher negra escravizada e disse, diante de colegas: “Achei uma foto sua no Facebook”. Além disso, ela afirmou que sofria críticas ao seu cabelo, chamado de “gambiarra”.

Segundo o processo, o caso chegou ao setor de Recursos Humanos, mas o chefe teria minimizado a situação, dizendo que tudo não passava de “brincadeira”. A operadora afirmou que nenhuma medida efetiva foi tomada e que suportava as humilhações por medo de perder o emprego. Ela foi demitida sem justa causa em junho de 2022.

Em sua defesa, a Havan negou que tenha havido ofensas ou tratamento discriminatório. A empresa afirmou que mantém um ambiente respeitoso, destacou que possui funcionários negros em seu quadro e disse ser reconhecida como uma das melhores empresas para trabalhar no país.

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Indenização

A indenização foi fixada em R$ 50 mil inicialmente. Depois, foi reduzida para R$ 30 mil pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC). A trabalhadora recorreu ao TST, que decidiu elevar o valor para R$ 100 mil.

Segundo o relator, o argumento de que “foi só uma brincadeira” ignora os efeitos reais dessas atitudes. Ele aponta que esse tipo de comportamento causa danos e ajuda a perpetuar a desigualdade.

O ministro destacou, ao aplicar o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, que é preciso olhar além dos fatos isolados e considerar o contexto histórico e social do racismo, além do impacto psicológico e profissional para a vítima.

Agra Belmonte afirmou que comentários humilhantes, ainda mais em uma relação de hierarquia, não podem ser relativizados. Para o ministro, a indenização precisa ter um efeito prático.

De acordo com ele, valores muito baixos não impactam empresas de grande porte nem ajudam a prevenir novos casos.

A decisão foi unânime.

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