SAÚDE
Racismo impacta saúde mental e acende alerta entre especialistas
Entenda como o racismo afeta o equilíbrio emocional

O racismo tem consequências que ultrapassam os episódios explícitos de discriminação. Embora casos envolvendo figuras públicas, como o jogador Vini Jr., ganhem repercussão, a maior parte das situações ocorre de forma cotidiana e silenciosa, afetando diretamente a saúde mental de milhares de pessoas.
Especialistas apontam que essa exposição constante a experiências discriminatórias pode desencadear um processo de desgaste emocional progressivo.
Impactos emocionais vão além do momento da agressão
Segundo a psicóloga Laíse Brito, fundadora da Baobá Saúde, episódios de racismo não se encerram no instante em que acontecem. Eles tendem a permanecer na memória e influenciar a forma como a pessoa se relaciona com o ambiente ao seu redor.
Sensações como insegurança, irritabilidade e desmotivação podem surgir, além da perda de interesse por atividades que antes eram fonte de prazer.
“O ambiente social se torna inseguro e ameaçador. Nem nossa rede de apoio consegue ser suficiente para sanar essa sensação”, explica a psicóloga.
Corpo reage ao estresse constante
Os efeitos não são apenas emocionais. O organismo também responde ao estresse prolongado causado por esse tipo de vivência. Dor gástrica, insônia, sudorese, dores de cabeça e hipersonia refletem indícios de adoecimento psíquico que precisam de uma busca de ajuda especializada.
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Esse conjunto de sintomas está ligado a um estado contínuo de alerta, no qual o corpo permanece preparado para lidar com possíveis ameaças, mesmo em situações do dia a dia.
Racismo estrutural e desgaste psicológico
A repetição de situações discriminatórias, ainda que sutis, contribui para um acúmulo de tensão ao longo do tempo. Esse cenário, conhecido como racismo estrutural, reforça desigualdades e amplia o impacto na saúde mental.
Pessoas negras, indígenas e outros grupos racializados acabam vivenciando esse desgaste de forma mais intensa, o que pode levar ao adoecimento psíquico.
Autocuidado como ferramenta de resistência
Diante desse contexto, práticas de autocuidado ganham um papel essencial. Criar rotinas que promovam bem-estar emocional e buscar momentos de prazer ajudam a reduzir os impactos do estresse acumulado.
Laíse orienta que manter o autocuidado é uma movimentação de preservação, responsável por uma reserva de saúde. “Quando as experiências ruins venham a acontecer, é importante que a pessoa já tenha recursos de manejo para lidar com isto, além de buscar acolhimento e uma escuta ativa”, diz.
Atividades simples, como leitura, escrita ou hobbies, podem contribuir para a construção de um equilíbrio emocional mais estável.
Terapia e apoio coletivo fortalecem o cuidado
O acompanhamento psicológico é um dos caminhos mais indicados para lidar com essas experiências. A terapia permite compreender emoções, ressignificar vivências e desenvolver estratégias para enfrentar situações adversas.
A especialista destaca que a psicoterapia se torna um eixo de sustentação que dá caminhos. "Ela tanto acolhe, quanto trata as experiências de dor, promovendo a experiência para um futuro melhor”, elenca.
Além disso, a construção de redes de apoio e a convivência com pessoas que compartilham objetivos de vida saudáveis são fundamentais para fortalecer o bem-estar.
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