BRASIL
Rodovia brasileira corta a Mata Atlântica com viadutos de 70 metros
Estruturas suspensas e túneis foram usados para reduzir em 97,5% o impacto ambiental


Uma das principais rodovias do estado de São Paulo chama atenção pela forma como foi construída em meio à Mata Atlântica. A Rodovia dos Imigrantes (SP-160), responsável pela ligação entre a região metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista, utiliza grandes viadutos e túneis para atravessar a Serra do Mar.
Ao longo dos 58,5 quilômetros de extensão, a estrada conta com um sistema formado por 44 viadutos, sete pontes e 14 túneis. As estruturas foram utilizadas para adaptar a rodovia ao relevo da região e, principalmente, diminuir os impactos sobre a vegetação.
Construção da segunda pista mudou estratégia
A Rodovia dos Imigrantes foi construída em etapas a partir da década de 1970. Na primeira obra realizada na região da serra, a chamada Pista Norte, os métodos utilizados exigiam grandes cortes no terreno.
Com isso, aproximadamente 16 milhões de metros quadrados de vegetação precisaram ser retirados durante a construção.
A situação mudou com a construção da Pista Sul, inaugurada em 2002. O novo projeto adotou uma estratégia diferente para atravessar a Serra do Mar, priorizando estruturas suspensas e passagens subterrâneas.
A mudança fez com que a área de mata afetada pela obra caísse para cerca de 400 mil metros quadrados.
Segundo os dados apresentados, a redução representa 97,5% menos perda de cobertura vegetal em relação à construção da primeira pista.
Viadutos chegam a 70 metros de altura
Para evitar que a rodovia acompanhasse todas as irregularidades do terreno, a engenharia da Pista Sul concentrou parte do trajeto dentro das montanhas e em estruturas elevadas.
Alguns dos túneis construídos para a rodovia possuem mais de 3 quilômetros de extensão.
Nos pontos em que a passagem subterrânea não era utilizada, os veículos seguem por viadutos que chegam a 70 metros de altura, atravessando os vales cobertos pela floresta.
Outra estratégia utilizada foi aumentar a distância entre os pilares que sustentam as pistas suspensas. Com vãos maiores entre as estruturas, foi possível diminuir a quantidade de fundações instaladas diretamente no solo e, consequentemente, reduzir a interferência sobre a vegetação nativa.
Leia Também:
Rodovia também enfrenta neblina e chuvas
Além dos desafios relacionados ao relevo e à preservação ambiental, a operação da rodovia precisa lidar com as condições climáticas da Serra do Mar.
A região registra chuvas frequentes e períodos de baixa visibilidade, especialmente durante a ocorrência de neblina.
Por isso, o traçado da pista na serra foi planejado com cerca de 20 quilômetros de curvas suaves.
A escolha do desenho busca contribuir para a segurança dos motoristas durante os períodos de neblina mais intensa, comuns na região da crista da serra.


