Busca interna do iBahia
HOME > BRASIL

BRASIL

Sistema de vídeo contra crime ainda é falho, diz TCE

Fabio Leite | Estadão Conteúdo
Por Fabio Leite | Estadão Conteúdo
| Atualizada em

"Alguém tenta entrar em um estabelecimento comercial usando um capacete. A câmera do Detecta, que está programada para captar atitudes suspeitas, aciona automaticamente a central de operações da polícia. O alerta aparece nos monitores. Ao lado da imagem, o sistema detecta o histórico criminal do local. A central repassa essas informações via tablet para a viatura mais próxima, que parte para atender a ocorrência."

Foi com essa descrição que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) apresentou, nas eleições de 2014, o programa Detecta como um sofisticado sistema de inteligência usado pela polícia de Nova York, que seria adotado para combater a criminalidade em São Paulo. Mas, passados três anos do início da implementação do modelo, em abril daquele ano, a principal função do Detecta ainda não está disponível, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Um relatório de fiscalização do órgão publicado ontem no Diário Oficial afirma que a "solução de vídeo analítico" prevista no Detecta - que seria capaz de captar condutas suspeitas na rua por meio de câmeras de segurança e monitoramento, identificar a localização e acionar automaticamente a Polícia Militar - foi excluída do contrato firmado entre a Secretaria da Segurança Pública e a Companhia de Processamento de Dados do Estado (Prodesp), responsável por adotar o sistema.

"Constata-se que a meta inicial de ser um software inteligente que automatiza o processo de videomonitoramento dos espaços públicos ainda não foi atingida, que neste momento o sistema não está operando com todas as funcionalidades previstas em contrato e, até agora, o Detecta não produziu os resultados esperados nas atividades de planejamento, prevenção e investigação policial", diz o TCE.

A Prodesp gastou R$ 9,9 milhões na compra do programa desenvolvido pela Microsoft, enquanto a secretaria já desembolsou mais de R$ 15 milhões para custear a implementação e manutenção do sistema pela estatal. Em outubro de 2016, a pasta decidiu excluir do contrato adoção da tecnologia de vídeo analítico de motos paradas ao lado de veículos, de pessoas transitando nas vias e de veículo parado na via, após ter sido informada pela Prodesp sobre a "impossibilidade" de cumprimento desses itens.

Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a medida compromete a eficácia do programa na forma como ele foi apresentado à sociedade. "Existe um hiato grande entre o que foi planejado e que de fato foi implementado. Cabe saber se a falha foi de procedimento ou de estratégia e se essas limitações são superáveis ou não" afirma.

Em nota, a Prodesp rebateu o TCE afirmando que "a funcionalidade do vídeo analítico do sistema Detecta foi adotada e está operacional para quatro situações de alerta": veículo parado na via expressa; pessoa atravessando a via; face encoberta; e moto parada ao lado de veículo na via. A estatal informou ainda que "aprimoramentos serão aplicados", mas que "não será mais a responsável pelo desenvolvimento".

Prisão

A Secretaria da Segurança afirmou, por sua vez, que o vídeo analítico "já está operacional em parte das 3.144 câmeras integradas ao programa em todo o Estado, mas ainda demanda aprimoramento" e "já iniciou a busca por novos desenvolvedores" para substituir a Prodesp. A pasta destacou que o Detecta integra os bancos de dados das polícias e outros órgãos e já "foi responsável pela prisão em flagrante de 4.731 pessoas em todo o Estado".

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas