BRASIL
Transporte gratuito aos fins de semana pode custar R$ 20 bilhões ao governo
Proposta foi anunciada pelo presidente Lula

O presidente Lula (PT) anunciou nesta quinta-feira, 15, que prevê garantir o transporte público gratuito aos fins de semana. A proposta, no entanto, deverá custar cerca de R$ 20 bilhões por ano ao Orçamento do governo federal, segundo estimativa da Associação Nacional dos Transportes Urbanos (NTU).
O levantamento considera a gratuidade em 52 domingos, 52 sábados, além de 11 feriados nacionais ao longo de um ano em todo o Brasil. Segundo Marcos Bicalho, diretor de gestão da NTU, o governo deverá assumir os custos de todos os municípios, inclusive Brasília e São Paulo, que já oferecem o benefício.
“Por questão de justiça, a União teria que assumir o custo total, o Estado que já adota ou a prefeitura que já adota uma política desse tipo, poderia destinar esses recursos para outras áreas”, afirmou o gestor.
Tarifa zero aos fins de semana
O projeto foi anunciado às vésperas do segundo turno para as eleições de 2027. No entanto, no ano passado, o presidente já havia solicitado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que fez cálculos sobre o custo da medida, pois queria que a proposta fosse feita em sua campanha de reeleição.
A medida não entrou no programa de governo de Lula devido à falta de comentários sobre os estudos de opções econômicas. Em discussões privadas, os ministros afirmaram que não haveria espaço no orçamento fiscal para adotar a tarifa zero. Atualmente, no Brasil, mais de 130 cidades adotaram o passe livre.
Proposta pode virar votos?
A proposta de tarifa zero já circulava no mercado financeiro. De acordo com pesquisas realizadas por grandes bancos, o projeto teria capacidade de virar votos do senador Flávio Bolsonaro (PL) para Lula.
Enquanto a NTU prevê custo de R$ 20 bilhões, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) projeta uma conta de até R$ 60 bilhões. Segundo Paulo Roberto Ziulkoski, presidente da entidade, a proposta representaria um risco para as prefeituras.
"É uma grande preocupação essa proposta ser feita de forma eleitoreira. Pode representar um custo a mais para as prefeituras, dependendo da forma como será feito o repasse. É uma insegurança enorme", disse Ziulkoski.
