CADERNO 2
Diego Mauro lança novo livro infantil no próximo sábado
'O Aquário de Pedro', da editora Caramurê, é o novo lançamento do escritor baiano radicado em São Paulo


“Livros infantis não raro abordam questões muito profundas, que nós adultos por vezes aprendemos a contornar. O desafio da literatura infantil, pra mim, é falar com a criança que vive dentro de cada um de nós, tocar em um ponto que faça a gente se colocar naquele lugar de simplicidade de ser criança, quando o mundo nos apresenta temas gigantescos de maior relevância”.
Quem defende essa tese é o escritor soteropolitano Diego Mauro, 35, que lança, no próximo sábado, às 16h, na livraria Caramurê – Museu de Arte Moderna da Bahia (Av. Contorno) –, o livro infantil O Aquário de Pedro (editora Patuá).
“A literatura infantil é a oportunidade de ser mais sincero e aberto. Para mim, a literatura é uma hipótese: e se isso acontecesse? A partir de uma cena que considero significativa das minhas reflexões, eu desenvolvo uma narrativa”, arremata Diego.
Com ilustrações de Gabriel Pessoto, a obra tem 56 páginas coloridas e é voltada para a leitura compartilhada de crianças a partir de quatro anos de idade, e leitura independente a partir dos seis anos.
“Leitura compartilhada é aquela feita com a ajuda de uma pessoa que leia para a criança. É preciso ter uma certa idade para conseguir ler o livro sozinha. Mesmo assim, tivemos o cuidado de usar caixa alta na escrita, porque isso facilita a leitura das crianças que estão aprendendo a ler”, explica o autor.
Solidão
O aquário de Pedro conta a história de um menino de cinco anos que passa horas no seu quarto imerso em brinquedos. Ele tem um peixe chamado Dourado e, de tempos em tempos, olha o aquário para ver o que Dourado anda fazendo.
Aí começa a achar que o peixe está entediado, então lhe oferece seus brinquedos. Primeiro, coloca no aquário brinquedos que ele não usava mais, mas como o comportamento do peixe não muda, passa a oferecer os brinquedos favoritos.
Com toques autobiográficos, a publicação, segundo Diego, tem como foco trazer à tona a questão da solidão infantil. “Ela propõe uma relação de espelhamento entre a solitude do pequeno garoto e a do peixe, o que é reforçado visualmente pelas proporções idênticas do quarto e do aquário. O livro é um convite para pensar o que significa estar só, e como a gente processa (ou não) essa ideia”.
O escritor diz ainda que o livro “é uma provocação para que os cuidadores das crianças reflitam também sobre a necessidade dos pequenos, pois é cada vez mais comum a gente entreter as crianças com brinquedos e tablets, mas muitas vezes tudo o que falta pode ser uma companhia humana”.
Já para o ilustrador, o exemplar apresenta uma situação singela, mas de intenso amadurecimento do personagem. “Observando Dourado, Pedro formula suas próprias questões e sensações”, acredita Pessoto.
“As ilustrações, sugestionadas pelo texto e pelas situações criadas por Diego, auxiliam na construção de ritmo dessa história, que vai do sonho a outras sensações corriqueiras da infância – a brincadeira, o tédio, a passagem do tempo, as grandes e pequenas descobertas”, complementa Gabriel.
Imaginação
Para Pessoto, foi muito prazeroso trabalhar com Diego, pois o autor lhe deu muita liberdade para explorar visualmente o universo da história. “Sinto que foi um processo bastante compartilhado”.
Ele afirma ainda que as ilustrações ajudam o leitor a conduzir a imaginação através da história, mas também funcionam como uma versão visual da narrativa, possibilitando uma interação, inclusive antes da alfabetização.
“Eu mesmo tenho muitas memórias de contemplar livros ilustrados antes de saber ler, tentando supor o que as imagens diziam. Depois de alfabetizado, segui interessado pelas imagens, que forneciam alguns elementos para expandir a narrativa para além do que os livros contavam. É uma grande responsabilidade, mas também uma enorme honra produzir imagens que possam estimular a fantasia do público infantil”, finaliza Pessoto.