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CADERNO 2

Show instrumental faz releitura de canções de Gil e Caetano

Projeto traz Armandinho, Marco Lobo e Yacoce Simões interpretando clássicos da dupla baiana

Bruno Santana*
Por Bruno Santana*
Marco Lobo, Yacoce Simões e Armandinho: eles tocam e o público canta
Marco Lobo, Yacoce Simões e Armandinho: eles tocam e o público canta - Foto: Felipe Oliveira | Divulgação

Palco. Sampa. A Luz de Tieta. A Paz. Toda Menina Baiana. Tropicália. Eis algumas das melodias mais icônicas e reconhecíveis compostas pela dupla de ouro da música baiana, Gilberto Gil e Caetano Veloso, com centenas de versões e covers gravados por um monte de artistas ao longo das últimas décadas. E, nesta semana, os soteropolitanos terão a oportunidade de conferir estas e outras canções reinterpretadas por um trio que compreende como ninguém a importância e a história destas obras: o guitarrista Armandinho Macedo, o pianista Yacoce Simões e o percussionista Marco Lobo.

Essa é a proposta do show Retocando Gil e Caetano, que o trio apresentará nesta sexta-feira (16) e sábado (17) na Estação Rubi, no Wish Hotel da Bahia: Armandinho, Yacoce e Marco apresentam versões instrumentais de uma série de clássicos da dupla, homenageando os dois pilares da música brasileira no ano em que eles completam oito décadas.

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Os espetáculos abrem a nova temporada musical da casa de shows, antigamente conhecida como Café-Teatro Rubi, e incluirão uma sessão de autógrafos para o álbum de mesmo nome, que está sendo lançado pelos três músicos.

De acordo com Yacoce, que é também produtor do espetáculo, o show traz a oportunidade ímpar de celebrar um repertório que está permanentemente gravado na cultura musical baiana e brasileira. "Eu, particularmente, tive o privilégio de crescer ao som de Gilberto Gil e Caetano Veloso, e tê-los como conterrâneos é um presente", afirma o músico.

"Para nós, nada é mais gratificante do que trazer a obra deles para o circuito instrumental, levando a poesia através das melodias e dos sons, até porque o público sempre acaba cantando, na sua mente e nos seus corpos, as canções que a gente interpreta de forma instrumental".

Armandinho, por sua vez, aproveita toda a sua aproximação com os homenageados ao longo das décadas de carreira – a canção Armandinho, composta por Caetano em sua homenagem, está no repertório – para dar ao tributo do show um caráter também pessoal. "Falar de Gil e de Caetano é contar uma feliz história de vida que passa desde a adolescência, quando vi neles a referência musical brasileira com o que acontecia no mundo. Eles foram a régua e o compasso da minha caminhada", conta o músico.

"O respeito e admiração que tenho por esses dois pilares da nossa MPB, além da honra de tê-los como amigos, é o que me leva a homenageá-los constantemente".

Armandinho segue: "Eles falaram de toda a nossa história, trouxeram uma forma de cantar mais poética, mais bonita, que falasse com o nosso tempo e a nossa geração", opina, comemorando a oportunidade de comemorar mais uma vez a obra dos dois amigos. "É uma felicidade, eu que já tive tanto envolvimento musical com eles, […] além de tudo que eles são para a história musical brasileira, eu tenho essa relação de intimidade", conclui.

Valorizando as melodias

Criar novas versões para clássicos regravados incontáveis vezes ao longo das últimas décadas não é exatamente tarefa fácil, mas o trio buscou trilhar esse caminho respeitando ao máximo o espírito das obras originais.

"A gente cuidou desse repertório com muito carinho e interpretamos as letras das músicas de forma brilhante, através do bandolim de Armandinho e do piano de Yacoce", afirma Marco Lobo.

"Tentamos ser os mais fiéis possíveis às interpretações, para que a gente transmita a essência desses dois artistas e consiga trazer a música da forma que nós temos em nossas memórias afetivas".

Yacoce, por sua vez, reforça o compromisso com as versões originais das músicas.

"O toque pessoal é a forma de interpretação instrumental que demos. Não imaginamos apenas um desdobramento virtuosístico, queríamos um contexto em que o público cantasse da plateia sobre a nossa versão", conta, enquanto Armandinho completa: "é um show instrumental para as pessoas cantarem, acompanharem, se deliciarem, porque a gente procura interpretar melodias e dar alguns toques instrumentais e de improvisação. Mas o principal é passar a melodia, é passar Gil e Caetano para o público".

*Sob a supervisão do editor Chico Castro Jr.

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