CARNAVAL
Bruno Monteiro pontua saturação no Carnaval: "Metade de Salvador em dois bairros"
Secretário avaliou a superlotação e atrasos para defender critérios mais transparentes de planejamento

Após um Carnaval marcado por críticas à superlotação e atrasos na saída dos trios, o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, avaliou que é preciso ampliar o debate sobre a organização da festa, especialmente no circuito Dodô (Barra-Ondina), que registrou concentração recorde de público.
Segundo ele, a saturação do circuito é uma realidade. “Chegamos a ter 1.200.000 pessoas num dia aqui. É muita gente. É metade da população de Salvador concentrada em dois bairros da cidade numa mesma avenida”, afirmou. Para o secretário, os congestionamentos de trios, atrasos na programação e mudanças na ordem das atrações prejudicam o evento e reforçam a necessidade de planejamento mais transparente.
Monteiro defende que critérios claros e definidos com antecedência sejam adotados para evitar conflitos. “Eu defendo que se tenha critérios mais transparentes, mais antecipados, que permitam que todo mundo possa se organizar melhor, que todo mundo ganha com o Carnaval mais organizado. Então, eu acho que isso precisa ser revisto. Não tô falando só da Barra, na Barra isso fica mais evidente, mas do Carnaval como um todo, no Campo Grande também”, destacou.
Daniela Mercury e a ordem dos trios
Ao comentar a polêmica envolvendo a cantora Daniela Mercury, que reivindicou o direito de abrir o circuito Barra-Ondina, o secretário afirmou que a artista está no direito de defender seu espaço. Ele ressaltou a importância histórica da cantora para o Carnaval de Salvador.
“Daniela tem uma contribuição com a história e com esse formato de Carnaval que precisa ser respeitada, especialmente pelo seu pioneirismo”, declarou. No entanto, ele reforçou que problemas na organização da grade e trocas na ordem dos trios durante o desfile são prejudiciais para todos os envolvidos.
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“O Carnaval é a festa do povo e ela precisa continuar sendo a festa do povo. A gente não pode deixar que essas coisas de disputa, de guerra. Carnaval é paz, que Carnaval é alegria. Então nós não queremos nunca que o ambiente seja o ambiente da disputa e da confusão. Queremos simplesmente que a disputa seja a disputa pela melhor música e não pela ordem dos trios”, pontuou, destacando que a responsabilidade pela organização é fundamental para evitar confusões.
Novo circuito e ampliação da festa
Diante das críticas à superlotação, Bruno Monteiro afirmou que o debate sobre mudanças estruturais, como a criação de um novo circuito, precisa ocorrer de forma ampla e participativa. Para ele, decisões não podem ser tomadas “de cima para baixo” nem às vésperas da festa.
“Nós queremos que tenha debate. Esse debate precisa acontecer. Não pode ser uma decisão de cima para baixo, na véspera do Carnaval”, afirmou.
Sobre a ampliação do Carnaval em 2027, que terá um dia a mais de programação, Monteiro avaliou a novidade como positiva.
“Já tem novidade ano que vem que vai ter um dia a mais, eu acho que vai ajudar inclusive a escoar mais por ter mais um dia de Carnaval, assim como ajuda quando nós temos atrações de mais peso e apelo público no Campo Grande. Ajuda a desafogar a Barra”, lembrou.
Avaliação e planejamento para 2027
O secretário afirmou que a Secretaria de Cultura fará uma avaliação imediata da edição deste ano. Segundo ele, a análise dos acertos e erros é essencial para aprimorar o planejamento.
“O nosso planejamento tem melhorado ao longo dos anos, porque a gente consegue fazer essa avaliação. Eu sugiro para todos os envolvidos no Carnaval de Salvador que nós façamos a mesma coisa. A gente não pode deixar passar meses. No máximo, daqui a duas semanas, se faça uma grande, ampla, profunda e sincera avaliação sobre o Carnaval, para que nós possamos enfrentar todas as questões colocadas”, disse.
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