CARNAVAL
Jovens executivos fazem a festa


Ainda faltam pouco mais de 48 horas para o início do Carnaval. No entanto, basta conferir a programação da festa para perceber que a folia deste ano será diferente. No leque de atrações, artistas do segmento alternativo estão misturados a veteranos da axé music e cantores da nova cena musical, como Karol Konká, Liniker, Emicida e o DJ Alok, Ifá, dentre outros. Nos circuitos oficiais, palcos estão sendo montados em áreas onde, antes, a festa ficava ociosa. Nas ruas, peças publicitárias de cores vibrantes enfeitam a cidade.
Isto é resultado da comunhão de ideias de quatro jovens executivos que estão à frente das ações regionais da Skol, marca da cervejaria Ambev – patrocinadora master do Carnaval de Salvador deste ano. O lema da turma é reinventar a festa pensando "fora do quadrado", conforme sugere o slogan da marca.
Recriar a festa, para eles, é quebrar padrões e deixar a folia ainda mais democrática. Por isso, a marca está dividindo seus investimentos não só na produção de camarotes, mas também na contratação de artistas para tocar para a pipoca no trio elétrico e nos palcos armados ao longo dos circuitos.
A intenção, de acordo com o executivo brasiliense Ricardo Leite, 31, é trazer um fôlego novo para a festa. "As inovações que trouxemos são resultado de várias ações que fizemos ao longo do ano para conhecer as comunidades, o povo baiano e a festa a fundo. Não faria sentido fazer uma festa que não tivesse a cara e o gosto do folião da Bahia, com suas especificidades", afirma.
O pernambucano Felipe Bratfisch, 31, conta que o maior desafio do grupo é adaptar os valores da marca para a cultura local. "Nós fazemos um trabalho social, que é o de questionar os padrões e fazer com que o público esteja envolvido na festa. A instalação de um palco no Farol da Barra, por exemplo, é uma iniciativa que veio atender a necessidade dos foliões e, com certeza, vai ficar para sempre ", diz.
Baianidade
E são os soteropolitanos Pedro Beltrão, 35, e Maria Eduarda, 25, também executivos da marca, os responsáveis por levar a dose de baianidade necessária para que o Carnaval não perca as raízes. "Não vemos nosso trabalho com um olhar de uma pessoa de fora, mas de alguém que faz parte daquele universo", conta Eduarda, a Duda, caçula do time.
O segredo, segundo Pedro, o mais velho do grupo, é se colocar no lugar do consumidor. "O fato de ser jovem ajuda muito, pois estamos antenados com o que está acontecendo", revela.
A responsabilidade de pensar e executar o Carnaval tem um ônus para a turma: enquanto muitos estarão curtindo na festa, eles estarão mergulhados no trabalho. Para eles, descanso, agora, só depois da quarta-feira de cinzas.