CARNAVAL
Márcia Castro comenta saída do trio "Respeita as Mina"


A cantora Márcia Castro foi substituída pela paulista Tássia Reis no trio “Respeita as Mina”. Ela dividiria o palco com MC Carol e Larissa Luz, na segunda-feira, 27, no circuito do Campo Grande, às 17h. A saída de Márcia se deu após uma polêmica. Grupos feministas da capital baiana questionaram a legitimidade da participação da cantora devido a uma foto dela com o compositor Fael Primeiro que foi acusado de violentar uma jovem.
Na terça-feira, 21, a artista desabafou por meio das redes sociais e falou da sua saída do projeto, que é uma iniciativa da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e busca promover a conscientização da população sobre a violência de gênero registrada durante a festa.
“Há cerca de 1 ano, recebi a visita de um cantor e compositor baiano. Naquela altura, eu estava escolhendo canções para o meu novo disco e sempre curti o trabalho desse cara, Fael Primeiro. Depois de uma tarde aqui em minha casa, em Salvador, nos despedimos. Antes disso, fizemos uma foto que eu publiquei nesse mesmo dia em minha página oficial do Instagram e do Facebook. Para minha surpresa, na ocasião, comecei a ler comentários acerca de acusações de violência sexual contra ele. Foram muitos comentários. Fui buscar informações sobre o ocorrido. Mas nesse momento o que me restou, e todas vocês sabem como funciona, foi a palavra dela contra a palavra dele e muitos pontos de vista acerca dos fatos”, contou Márcia em uma postagem no Facebook.
Na imagem, a legenda “um gigante na música, na arte e na alma”, gerou uma série de comentários, que incluíam a hashtag #meuamigosecreto e pedidos de sororidade da parte de Márcia. O caso foi encerrado depois de o suspeito ter recorrido em uma audiência de conciliação e a autora da denúncia sentenciada por “calúnia”.
A cantora relatou ainda que o mesmo grupo que a criticou pela foto ameaçou realizar um protesto pela participação da cantora. “Segundo elas eu sou "uma cantora que apoiava, defendia estuprador". Fiquei atônita. Vimos a força dessa movimentação das minas que anunciaram um protesto no dia da saída do trio. As organizadoras e patrocinadora do projeto temeram pela ranhura que isso poderia causar na imagem do evento. Eu temi por minha integridade física, visto nível agressivo das mensagens. Decidiram por minha saída, sendo eu substituída por Tássia Reis.”
O caso
O grafiteiro e músico Rafael Vinicius Santana de Jesus, o “Fael Primeiro”, foi acusado, em novembro de 2015, de ter abusado sexualmente de uma jovem. A moça relatou o episódio em um post no Facebook, motivada pela campanha #meuamigosecreto, em que mulheres descreviam abusos que sofreram de pessoas próximas a elas – a denúncia, inclusive, motivou o fim do Bemba Trio, grupo que Fael mantinha com Russo Passapusso e o DJ Raiz.
Por falta de provas, visto que o relato foi feito meses após o suposto abuso, a moça foi condenada a cumprir pena alternativa por calúnia e teve que prestar serviços à comunidade por três meses, sete horas por semana.