CIDADÃO REPÓRTER
Ocupação irregular na Djalma Dutra atrapalha pedestres


Circular pela rua Djalma Dutra, no bairro das Sete Portas, é um grande desafio para os pedestres que precisam passar pelo local. Segundo denuncia um leitor do Cidadão Repórter, que preferiu não se identificar, a ocupação irregular das calçadas pelos comerciantes e motoristas da região é o principal problema. O leitor enviou algumas imagens feitas com o próprio celular para a redação de A TARDE (ver galeria) para comprovar o problema.
"São carros fazendo instalação de som nos passeios, mecânicos de carros e motos usando a calçada sem o menor constrangimento. É uma falta de respeito e de humanidade. Já presenciei mais de uma vez pessoas com sacos de compras de supermercado tendo que passar pelo meio da pista para conseguirem chegar em suas casas", comenta o leitor.
A reportagem constatou que nas calçadas, os transeuntes são obrigados a dividir espaço com carros mal estacionados, bancas e utensílios de lojas de som, casas de material de construção e máquinas, madeireiras e supermercados. Com a calçada sendo utilizada como estacionamento e como extensão dos estabelecimentos, o que resta aos pedestres é transitar ao longo do meio-fio, quase na pista de veículos. A rua tem tráfego intenso, inclusive de ônibus.
Cadeiras, mesas, prateleiras, fogões, pneus, escadas, entre outros, são postos quase que no meio da rua pelos comerciantes para chamar a atenção da clientela. O problema é que, para desviar da enxurrada de obstáculos sobre as calçadas, os pedestres precisam mudar o percurso e driblar os carros no meio da rua, correndo o risco de serem atropelados.
Foi o que quase aconteceu com a dona de casa Ivanilde Cerqueira, de 40 anos. "Isso aqui é um caos. Um dias desses, como a calçada estava toda tomada por carros e não encontrei espaço, tive que passar pelo meio da rua e por pouco não fui atropelada por uma motocicleta", conta ela, apontando para um dos carros que ocupavam a passagem dos pedestres em frente a uma oficina mecânica.
A situação é ainda pior no período da manhã, logo quando os estabelecimentos são abertos, conforme a comerciante Nívea Araújo Freitas, de 39 anos. "Não moro aqui, mas circulo todos os dias. Tem horas que fica intransitável para os pedestres. Quando a gente não se espreme na calçada, o único jeito é fazer 'malabarismo' entre os carros no meio da pista ", afirma.
Flagrantes - Em um dos pontos da rua, em frente a uma oficina mecânica, dois carros estacionados de forma irregular impediam a passagem dos pedestres pela calçada. Homens, mulheres, idosos e crianças precisavam se arriscar no meio da pista para poderem passar pelo local. Por pouco nossa equipe não flagrou um acidente: uma idosa foi tentar contornar os carros pela rua e quase foi atingida por um carro. Nervosa após o susto, ela não quis conceder entrevista.
Um dos funcionários da oficina, Cardoso Nascimento, 52 anos, disse à equipe que situações como aquela eram comuns por ali, mas informou que os veículos não estavam sob a responsabilidade da oficina e que o dono dos automóveis era um vizinho.
Mais à frente, outro problema: uma carreta bloqueava a calçada em frente a um supermercado e também impedia a passagem dos pedestres. O veículo de grande porte fazia uma descarga de bebidas no estabelecimento. Moradores ouvidos pelo Cidadão Repórter informaram que a passagem no local é bloqueada com frequência e que a única opção dos pedestres é desviar o percurso.
Procurado pela equipe do Cidadão Repórter, o gerente do supermercado RedeMix, que se identificou apenas como Éderson, disse que era novo ali e que não poderia responder, cabendo ao gerente administrativo de prenome Júnior - que não estava no estabelecimento - falar sobre a situação.
A equipe do Cidadão Repórter tentou também conversar com alguns comerciantes e donos de lojas que utilizam a calçada para expôr os seu produtos aos clientes e transeuntes, mas não obteve êxito. Em um dos estabelecimentos da rua - uma loja de utensílios domésticos - o proprietário, que não quis se identificar, informou que estava ocupado e que não poderia atender nossa equipe. Contudo, ele confessou que ninguém nunca tinha reclamado da utilização da calçada antes.
Órgãos públicos - Responsável por fiscalizar a ocupação irregular de calçadas por ambulantes e estabelecimentos, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp) informou, por meio da assessoria de comunicação, que já encaminhou o caso a Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização (CLF). O órgão se comprometeu a realizar uma vistoria no local afim de ordenar o comércio e aplicar medidas punitivas àqueles que estejam desrespeitando a lei.
A Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador) é quem fiscaliza o estacionamento irregular de veículos nas calçadas. A equipe do Cidadão Repórter tentou contato com o órgão para obter uma resposta sobre o caso da Djalma Dutra, mas, até o fechamento dessa matéria, não obteve retorno.