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JUSTIÇA AOS REBELDES

Anti-Heróis do Udigrudi Baiano explode memórias do cinema rebelde da Bahia em Brasília

SuperOutro, Meteorango Kid e Caveira My Friend ressurgem em documentário incendiário

Rafael Carvalho | Especial para A Tarde*
Por Rafael Carvalho | Especial para A Tarde*
Edgar Navarro, diretor do SuperOutro
Edgar Navarro, diretor do SuperOutro - Foto: Divulgação

Comemorando 60 anos de existência, o Festival de Brasília traz a mostra História(s) do Cinema Brasileiro, que reúne filmes que falam sobre filmes. É o caso de Anti-Heróis do Udigrudi Baiano, longa assinado por Henrique Dantas, que lança luz sobre o cinema marginal feito na Bahia entre os anos 1960 e 1980.

Fazem parte desse conjunto filmes como Meteorango Kid, O Herói Intergalático (1969), de André Luiz Oliveira; Caveira My Friend (1970), de Álvaro Guimarães; O Anjo Negro, de José Umberto Dias (1973); e o mais famoso deles, SuperOutro (1989), de Edgard Navarro.

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“De alguma maneira, eu faço cinema muito por conta desses filmes”, revelou Dantas. “Eles me tiraram de um lugar apenas de espectador. Quando eu vi SuperOutro, eu pirei meu cabeção. Eu pensava: ‘eu já comi ali com aquela baiana de acarajé, eu já passei naquele cinema, já passei em frente daquela rua’. Eu conseguia me reconhecer dentro da minha cidade”, confidenciou.

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O diretor conseguiu entrevistar boa parte desses realizadores que ainda permanecem vivos – com exceção de Álvaro Guimarães –, além de outros pensadores, críticos e profissionais do cinema baiano. Isso revela a importância de homenagear esses cineasta em vida, por terem criado uma obra disruptiva e influente, desafiando os padrões morais e estéticos da época em plena Ditadura Militar.

“É importante manter viva a memória dessa geração, acho isso fundamental. Nós temos poucos filmes que falam do cinema baiano, na minha opinião”, se posicionou Dantas. O diretor também percebe influência dessas obras em uma geração contemporânea, como o filmes dos realizadores Marcus Curvelo e Alexandre Guena (Xanxa).

Vale lembrar que esse cinema espelhava o cinema marginal, encabeçado por Rogério Sganzerla, diretor de O Bandido da Luz Vermelha. Mas aqui na Bahia, o termo “underground” se tornou “udigrudi”, como foi apelidado.

*O jornalista viajou a Brasília a convite do Festival.

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