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LUTO NO CINEMA BRASILEIRO

Aos 75 anos, morre um dos maiores cineastas brasileiros

Morte do cineasta foi confirmada pela filha dele

Edvaldo Sales
Por
Silvio Tendler morreu
Silvio Tendler morreu - Foto: Divulgação

Um dos maiores documentaristas do Brasil, o cineasta Silvio Tendler morreu na manhã desta sexta-feira, 5, aos 75 anos. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele morreu de infecção generalizada, segundo a filha dele, Ana Rosa Tendler.

Silvio Tendler, que ficou conhecido como o “cineasta dos sonhos interrompidos” ou “cineasta dos vencidos”, dedicou sua carreira a contar histórias de personalidades como João Goulart, Juscelino Kubitschek, Carlos Marighella e Glauber Rocha.

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Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, produziu e dirigiu mais de 70 filmes e 12 séries televisivas. Tendler também dirigiu ‘Jango’, ‘Os Anos JK – Uma Trajetória Política’ e ‘O Mundo Mágico dos Trapalhões’, em 1981.

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Tendler teve a sua obra marcada pelo engajamento político, pela defesa da memória histórica e pela produção de obras que retratam personagens cujas trajetórias foram interrompidas pela repressão ou pela morte precoce.

Na série ‘Cineasta do Real’, que fala sobre as obras dos principais documentaristas brasileiros, Tendler falou sobre o que o apaixonou para seguir carreira no cinema: “A minha paixão por cinema vem daquela geração que tinha 14 anos em 1964. Era uma geração que teve a cabeça feita por Glauber, Godard, Truffaut, Joaquim Pedro, Leon. E eu me apaixonei por cinema.”

Silvio deixa a filha, um neto e mais de cem obras. O velório está marcado para às 11h de domingo, 7, no Cemitério Israelita do Caju.

Vida e trajetória

O cineasta nasceu no Rio de Janeiro em 1050 e começou sua trajetória no movimento cineclubista ainda na década de 1960, liderando a Federação de Cineclubes do Rio em 1968.

Durante a ditadura militar, exilou-se no Chile e depois na França, onde se formou em História pela Universidade de Paris VII (Paris Diderot) e fez mestrado em Cinema e História pela École des Hautes Études – Sorbonne.

Desde 2011, utilizava cadeira de rodas devido a um problema de saúde que afetava a medula. Sua trajetória de superação foi retratada no documentário ‘A Arte do Renascimento’, dirigido por Noilton Nunes.

O cineasta seguiu ativo na produção cultural, lançando filmes como 'Saúde Tem Cura' (2021), sobre o SUS, e participando de eventos públicos e festivais até 2024.

Além de cineasta, Silvio Tendler foi professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio desde 1979. De família judaica com raízes ucranianas e bessarabianas, ele viveu na Tijuca e em Copacabana, além de ter morado no Chile e em Paris.

Silvio se manteve envolvido com políticas públicas de audiovisual e também teve uma breve carreira política.

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Silvio Tendler

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