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Após 10 anos, Paloma Bernardi reaparece na Globo em série policial
Atriz detalha retorno à Globo e desafios emocionais da nova fase da série

Por Beatriz Santos

A quarta temporada de Arcanjo Renegado desembarcou no Globoplay e rapidamente entrou para a lista das produções nacionais mais comentadas do streaming.
Entre disputas de poder, tráfico internacional e missões que ultrapassam fronteiras, a nova fase também marca o retorno de Paloma Bernardi às obras da Globo após quase uma década.
Vivendo Elaine Carolina, mulher guiada pela fé, pela sedução e por estratégias ocultas, a atriz mergulha em uma personagem que desafia o público e amplia os conflitos centrais da série.
“Ela é uma mulher cheia de nuances, que se move entre a fé, a manipulação e o desejo de poder. Eu queria que o público acreditasse em tudo o que ela dizia e fazia, mesmo quando ela estava mentindo. Então meu trabalho foi buscar a verdade dentro da mentira, encontrar humanidade em cada gesto, cada olhar”, afirma em entrevista exclusiva ao Portal A TARDE.
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"Eu sempre dizia para mim mesma durante as gravações: 'Ela tem fé, sim, mas tem fé nela'. E isso guiou todo o processo. Porque, no fundo, tudo o que ela faz vem dessa autoconfiança quase divina, desse poder interno que beira a obsessão", completa.
Uma temporada marcada por novos conflitos
Com direção de Fábio Strazzer e criação de José Junior, Arcanjo Renegado chega ao quarto ano aumentando o alcance da série. A trama se desloca do Rio de Janeiro para a fronteira Brasil–Paraguai, onde Mikhael (Marcello Melo Jr.) se vê diante de um cenário ainda mais violento, sofisticado e politicamente complexo.
O sequestro de um antigo colega da GMP (Grupo de Motociclistas Policiais) desencadeia uma investigação que revela rotas internacionais de tráfico comandadas por empresários influentes, um jogo que envolve poder econômico, manipulação religiosa e corrupção institucional.
Entre os novos nomes, Marcello Novaes interpreta Lincoln, um empresário ligado ao esquema; Giullia Buscacio surge como Tay; e Fernando Pavão dá vida ao magnata Wendell. O elenco principal também segue com Erika Januza, Leonardo Brício, Rita Guedes, Otto Jr., Álamo Facó e Carol Nakamura.
Toda a temporada, composta por 10 episódios de cerca de 60 minutos, já está disponível completa no Globoplay, e o sucesso garantiu a renovação para a 5ª temporada, que já teve parte das gravações iniciadas antes mesmo do lançamento da quarta.
Elaine Carolina dentro da trama
A participação de Paloma Bernardi apresenta uma das figuras mais dúbias, teatrais e estrategistas da nova fase. Elaine Carolina, inicialmente apresentada como uma fiel silenciosa e ferida, aproxima-se do Pastor Anderson (Emilio Orciollo Netto) em busca de acolhimento espiritual.
Mas logo o público descobre que sua devoção tem outros objetivos: ela atende aos comandos de Gabriel (Leonardo Brício), seu verdadeiro amante, infiltrando-se na igreja para manipular e seduzir o líder religioso em um jogo de interesses.
O pano de fundo de Arcanjo Renegado sempre operou em zonas cinzentas, entre segurança pública, interesses privados, violência e lealdades quebradiças. Para Paloma, Elaine agrava esse cenário justamente por ser movida por uma fé distorcida e por ambições pessoais que se camuflam sob uma aura religiosa.
“Em Arcanjo Renegado, ninguém é totalmente bom ou mau, e isso é o que torna a série tão potente. A Elaine traz essa reflexão: até que ponto a fé pode justificar as atitudes de alguém? E o que acontece quando a busca por poder ultrapassa os limites éticos e morais?”, analisa a atriz.
O retorno à TV Globo
Após quase dez anos afastada das novelas e séries da emissora, Paloma vê sua participação como um reencontro afetivo e profissional com a casa onde viveu seus primeiros grandes papéis.
“Esse retorno tem um significado muito especial. A Globo faz parte da minha história, onde vivi experiências que me reconheceram publicamente como atriz. Voltar agora, depois de quase uma década, é muito simbólico. Hoje eu retorno com mais maturidade, bagagem e autenticidade”, diz.
A atriz analisa que o tempo que passou distante da Globo contribuiu para um retorno mais marcante. "Esse tempo longe me permitiu experimentar outros formatos, viver personagens diferentes, entender melhor o meu ofício. Então eu volto com um olhar mais consciente e com muita vontade de somar e contribuir com a minha verdade e de enaltecer essa casa que tem tanta importância na minha trajetória".
A temporada discute obsessão pelo poder, ambição cega, fé, lealdade e escolhas que moldam trajetórias inteiras. Para Paloma, essas temáticas dialogam diretamente com sua fase atual: “Estou em um momento muito conectado à fé e à lealdade, principalmente a mim mesma, aos meus valores e à minha essência.”
"A ambição também está presente, mas hoje de um jeito mais saudável, mais alinhado com o que me faz feliz. Estou sempre em busca de evolução, mas sem perder de vista o porquê eu escolhi ser atriz", completa.
Entre câmeras e palco
Paralelamente à série, Paloma segue em turnê com a adaptação teatral de O Cravo e a Rosa, obra de grande alcance popular. Sobre a rotina no teatro, ela destaca o caráter imediato e pulsante da arte:
“Tem sido uma experiência deliciosa. A peça é leve, divertida, e o público se envolve de imediato. Cada apresentação é única, o teatro tem essa magia do presente, desse encontro vivo que acontece ali, na hora.”
"A troca em cena com o Marcelo Faria e com todo o elenco tem sido muito especial; é um trabalho totalmente coletivo, e isso faz toda a diferença no resultado", complementou.
A artista explica como transita entre o audiovisual e o palco: “O teatro me desafia todos os dias. Ele me lembra da importância do agora, da escuta e da entrega total. No palco, não dá pra “repetir” ou “editar”, tudo acontece ali, na frente do público. Já nas câmeras, o olhar é mais interno, o gesto mais contido, e a emoção precisa ser traduzida em detalhes.”
"Eu amo transitar entre esses dois universos porque um alimenta o outro. O teatro me dá mais prontidão e presença; o audiovisual me dá pré e precisão e sutileza entre tantas outras coisas", finaliza.
Na soma das experiências, Paloma enxerga reinvenção: "Eu sinto que estou vivendo um novo ciclo, mais consciente e maduro. Depois de tantos anos de carreira, é muito bonito perceber que ainda há espaço para o recomeço, para a descoberta. Estou me permitindo experimentar, arriscar, me reinventar como mulher e como artista. Cada projeto que chega até mim tem me transformado de alguma forma — e isso, pra mim, é o maior presente da arte".
Bahia: encontros, arte e memórias marcantes
A artista reconhece a força cultural da Bahia e sua crescente relevância nacional: “A Bahia de fato é grande celeiro de talentos e vem fortalecendo cada vez mais sua produção cultural. O crescimento é visível conectando o público de um modo geral,com às raízes locais.”
“A região hoje tem um papel fundamental no cenário nacional: revela novos artistas, amplia narrativas e contribui para a renovação da dramaturgia brasileira”, complementa.
Ela também relembra com carinho a passagem de O Cravo e a Rosa por Salvador:“A minha passagem por Salvador com O Cravo e a Rosa foi muito marcante pra mim. Eu já havia estado na Bahia outras vezes, até no Carnaval, mas essa foi a primeira oportunidade de me apresentar com teatro na cidade e foi especial demais.”
Antes de desembarcar na cidade, a atriz já tinha grandes expectativas para o público baiano. "Eu imaginava o público baiano como algo muito acolhedor, caloroso e cheio de energia, e foi exatamente o que vivi nos palcos. A troca com o público foi linda, uma daquelas que a gente sente na alma."
"Nos dias de folga, consegui conhecer mais da cidade, o que antes nunca tinha conseguido por causa dos compromissos. Fui ao Pelourinho, visitei o Senhor do Bonfim, tomei banho de mar e fiz uma pintura corporal. Foi uma experiência completa, de trabalho e de encantamento. Salvador me recebeu de braços abertos e eu voltei pra casa com o coração transbordando de gratidão e boas lembranças", completa.
A atriz ainda brinca sobre gravar uma nova série ambientada na Bahia: “Mil ideias! Desenvolveria um projeto onde enaltecesse a cultura regional, raízes, costumes, culinária, música, dança, arte, tudo isso regado a uma história de amor.”
“E mostrando o ‘molho’ onde todos dizem que só baianos têm!”, brinca a atriz.
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