FOTOS E VÍDEO
Cine Glauber Rocha teve espaços depredados antes de limitar acesso ao terraço
Portal A TARDE recebeu, com exclusividade, fotos e vídeo que mostram o resultado das depredações frequentes

Alvo de polêmica após restringir o acesso ao seu famoso terraço panorâmico apenas a clientes com ingresso, o Cine Glauber Rocha, localizado na Praça Castro Alves, em Salvador, passou por um período intenso de depredação de alguns de seus espaços, como a própria cobertura e os banheiros do quarto andar.
Ao portal A TARDE, o diretor do equipamento, Claudio Marques, afirmou que, nos últimos meses, o cinema enfrentou situações de “comportamento inadequado e depredação do prédio”.
“Além de pias quebradas, lâmpadas e luminárias furtadas, o que mais doeu foi ver os desenhos de Glauber constantemente danificados”, lamentou. Claudio disse que a equipe estava fazendo reparos diariamente, pois sempre aparecia algo quebrado.
Segundo o diretor, a limitação do acesso já apresenta resultados positivos. “Estamos operando dessa forma há pouco tempo, mas os resultados até então são muito bons. As pichações e depredações cessaram. Nunca mais observamos comportamentos não condizentes com o ambiente. O Cine Glauber Rocha voltou a ter o ambiente tranquilo e acolhedor de sempre”, pontuou.
Em fotos e vídeo enviados pela direção à reportagem é possível ver o resultado das depredações frequentes.
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A repercussão da limitação do acesso ganhou força nas redes sociais após uma publicação do influenciador Marcelo Filho, o Ruivo Baiano, que atrelou a ação a uma suposta gentrificação do Centro Histórico de Salvador.
O debate gira em torno da percepção popular de que o cinema, por ocupar um imóvel de concessão estadual, seria um equipamento integralmente público e, portanto, de livre circulação.
“O Glauber foi reformado com dinheiro privado e se mantém, desde sempre, graças aos seus esforços. A exceção foi a lei emergencial Paulo Gustavo. Diante dos efeitos prolongados da Covid-19 e da força avassaladora dos streamings as salas de cinema estão sendo apoiadas em diversos países. Algo que ainda não é comum acontecer no Brasil”, explicou o diretor.
O Ruivo Baiano utilizou suas plataformas para questionar a medida e a natureza da concessão do cinema assinada em 2021 pelo Governo do Estado. Ele argumentou que o cinema se beneficia de dinheiro público indiretamente.
Claudio rebateu a fala do influenciador e esclareceu que, em uma parceria com as secretarias de Cultura e Educação da Bahia, “o aluguel devido pelo Cine Glauber Rocha é revertido, desde a pandemia, ao ingresso e formação de dois mil estudantes da rede pública por mês”.
“O Cine Glauber Rocha arca com os custos operacionais (luz, água, equipamentos de projeção, pagamento às distribuidoras) e o estado providencia o transporte dos estudantes. A ação garante formação de público e acesso às salas aos estudantes”, ressaltou.
Não existem obrigações contratuais nesse sentido, mas os pilares que norteiam o Cine Glauber Rocha são a democratização ao acesso e exibição do cinema nacional.
A direção frisou ainda que os valores praticados garantem a democratização do acesso ao espaço e à cultura. Diariamente, o cinema disponibiliza ingressos a R$ 9 e R$ 10.
“Vale lembrar que, além de pagar impostos em cima de cada ingresso vendido, 50% desse valor fica com as distribuidoras/produtoras que são detentoras dos filmes”, pontuou.
Dentro dos limites possíveis de um empreendimento privado, o Glauber é inclusivo e democrático. Os custos para manter uma sala de cinema são elevados. Um projetor profissional custa mais de R$ 350 mil.
Ainda na nota enviada a A TARDE, a direção afirmou que o Glauber é um dos cinemas que mais exibe cinema brasileiro no país. Em 2026, até agora, foram mais de 135 — fora os festivais.
O Cine Glauber Rocha possui administração familiar. Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques são considerados pequenos exibidores, pois o equipamento tem apenas quatro salas.
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