DEBATE
Público ou privado? Entenda restrição ao terraço do Cine Glauber Rocha
Diretor do Glauber Rocha rebate influenciador, nega uso de dinheiro público e explica restrição

A decisão da administração do Cine Glauber Rocha, localizado na Praça Castro Alves, de restringir o acesso ao seu famoso terraço panorâmico apenas a clientes com ingresso, provocou polêmica entre os frequentadores. A repercussão ganhou força nas redes sociais após uma publicação do influenciador Marcelo Filho, o Ruivo Baiano, que atrelou a ação a uma suposta gentrificação do Centro Histórico de Salvador.
O Cine Glauber Rocha é público?
O debate gira em torno da percepção popular de que o cinema, por ocupar um imóvel de concessão estadual, seria um equipamento integralmente público e, portanto, de livre circulação.
Ao Cineinsite A TARDE, o diretor do Cine Glauber Rocha, Claudio Marques, explicou a situação. Segundo ele, o cinema não conta com financiamento do Estado ou do Município para suas operações diárias e se sustenta exclusivamente com a receita da bilheteria, do café e da livraria.
"O Glauber foi reformado com dinheiro privado e se mantém graças aos seus próprios esforços. De recurso público, apenas através da Lei Paulo Gustavo [voltada ao fomento pós-pandemia]", explica Marques.
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Termos da concessão
O Ruivo Baiano utilizou suas plataformas para questionar a medida e a natureza da concessão do cinema assinada em 2021 pelo Governo do Estado. Ele argumentou que o cinema se beneficia de dinheiro público indiretamente.
"Em 2021, o então governador prorrogou a concessão de uso de espaço, ou seja, eles não pagam aluguel. Será que limitar as pessoas é o caminho?", indagou o influenciador, que afirmou ainda que o espaço se beneficia de editais e incentivos culturais.
A alegação foi rebatida de forma direta por Claudio Marques. "Quais editais o cinema ganhou? Na concessão, há previsão de pagamento de aluguel. De onde vem a informação de que o cinema não paga? É um espaço privado. Não contou com financiamento público algum, nem na reforma, muito menos na manutenção. O resto é maldade", declarou Marques.
Para além da questão burocrática, o influenciador inseriu o fechamento do terraço no contexto das transformações urbanas pelas quais passa a Rua Chile e o seu entorno. Ele classificou a restrição como uma barreira de acesso ao Centro como um todo. "Quando quiserem colocar uma catraca cobrando para você entrar no Centro Histórico, eu vou estar bem aqui dizendo: eu avisei", criticou.
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E por que o acesso ao terraço mudou?
De acordo com a administração do Cine Glauber Rocha, a mudança nas regras de acesso não possui viés elitista, mas caráter emergencial diante da deterioração do espaço. A exigência do ingresso foi a alternativa encontrada após o aumento de comportamentos inadequados e danos ao patrimônio.
"Infelizmente, nos últimos meses, começamos a ter comportamentos que não condizem com o local e tivemos depredação do cinema. No contrato de concessão, uma das minhas obrigações é zelar pelo patrimônio histórico", justifica Claudio Marques. Após tentativas frustradas de reforçar a segurança física, o acesso foi atrelado à compra do ingresso. "As pichações e depredações cessaram. O Cine Glauber Rocha voltou a ter o ambiente acolhedor de sempre", afirma o diretor.
A direção ressalta ainda que os valores praticados garantem a democratização do acesso ao espaço e à cultura. Diariamente, o cinema disponibiliza ingressos a R$ 9 e R$ 10, além de receber mensalmente cerca de dois mil estudantes da rede pública estadual, que também têm acesso ao terraço.
Em um cenário nacional onde os cinemas de rua representam apenas 15% do parque exibidor, Marques avalia a manutenção do Glauber Rocha como um esforço de resistência que impulsionou a própria recuperação da Praça Castro Alves desde a sua reinauguração, em 2008. "Eu escutava diariamente que não ia dar certo. Tenho muito orgulho de ter devolvido o Glauber para a cidade. Graças ao cinema, os teatros e demais empreendimentos retornaram à região", conclui.
Como acessar o terraço do Cine Glauber Rocha
Com as novas regras, a entrada no mirante passa a ser exclusiva para o público que adquire ingressos para as sessões. A vista panorâmica também segue garantida para os cerca de dois mil estudantes de escolas públicas estaduais atendidos mensalmente pelo equipamento.
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