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RITUAL DE DESPEDIDA

Esse filme da Netflix começa com uma despedida e termina de um jeito inesperado

Longa foge do melodrama fácil e encontra emoção na contenção

Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

Por Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

02/01/2026 - 10:00 h
Com Helen Mirren e Toni Collette, Adeus, June é um drama de atores sobre luto e afeto
Com Helen Mirren e Toni Collette, Adeus, June é um drama de atores sobre luto e afeto -

Quando a idosa June passa mal em casa e é levada às pressas ao hospital, descobrimos que ela possui um câncer já bem espalhado pelo corpo e, portanto, tem poucos dias de vida. Os quatro filhos correm para acompanhá-la na instituição e têm de se preparar para o fim iminente da matriarca. Precisam, especialmente, lidar uns com os outros.

Esse é o mote perfeito para que membros de uma mesma família se reúnam involuntariamente e passem a disparar desentendimentos e farpas cruéis. Em Adeus, June, a despedida torna-se palco para o acerto de contas. Mas, surpreendentemente, o que prometia ser apenas mais um drama gritado de familiares revirando mágoas do passado, acaba se revelando um conto muito mais maduro sobre reconciliações.

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Produção original da Netflix, o filme já está disponível na plataforma. Kate Winslet surpreende ao assumir a direção do longa, ela que também atua como uma das filhas de June e ainda produz o filme, escrito pelo seu filho, Joe Anders. É, portanto, um tipo de projeto muito pessoal, rodeado de pessoas confiáveis.

A atriz-diretora reuniu também um elenco de peso – e, certamente, de amigos mais próximos – para dar vida a esse microcosmo familiar, com suas disfuncionalidades e intrigas internas.

A própria Winslet vive Julia, mulher centrada e eficiente, contraponto ideal da irmã Molly (Andrea Riseborough), enjoada com seu comportamento arredio e impertinente, sempre a querer ditar as regras. As duas não se dão bem e não se esforçam para esconder a inimizade.

Juntam-se a elas a terapeuta holística Helen (Toni Collette), a mais “hare krishna” da turma, com seu falso humor alto astral e métodos alternativos, mas emocionalmente destroçada por dentro, e o sensível irmão mais novo, Connor (Johnny Flynn), único que ainda mora com os pais e quem socorreu a mãe no momento do acidente. O casal de idosos é formado por Helen Mirren e Timothy Spall.

Todos eles são donos de tipos cheios de personalidade que ganham, cada qual, seu momento de brilhar. Nem sempre os dramas de cada um são realmente muito fortes, mas todos imprimem uma importância naquele conjunto que beira o colapso emocional prestes a explodir.

A trama também se passa alguns dias antes do Natal, o que confere um peso maior na reunião familiar que, ao contrário da celebração marcada pela data, precisa ser revestida pelas noções de perda e de luto iminente.

Mais do que isso, os conflitos pessoais surgem pela distância entre os irmãos a tentar decidir o que é melhor para a mãe.

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Show de atuações

Adeus, June não é, de fato, um filme de grande apuro narrativo. O trabalho de direção de Winslet é discreto, sem precisar chamar atenção para si nem quer criar algum tipo de impacto visual. É até mesmo muito convencional nesse sentido, ainda mais por ser um drama de reunião familiar.

Em um ano em que outras grandes atrizes de Hollywood se arvoraram na direção de longas-metragens (a exemplo de Scarlett Johansson, com seu début em Eleanor the Great, e Kristen Stewart, com A Cronologia da Água), Winslet prefere um caminho mais confortável, apoiando-se no trabalho dos seus colegas de cena.

É o que poderíamos chamar de filme de atores, quase que feito à medida para que os intérpretes pudessem brilhar em determinados momentos. Interessante como o filme se equilibra entre todos eles, a ponto de conseguirmos entender suas personalidades, gostos e anseios, nunca nos surpreendendo pelas atitudes que tomam, mesmo em uma situação limite como essa.

Riseborough talvez seja a melhor de todas em cena, criando uma personagem cheia de manias e irritante com seu jeito cínico e inoportuno.

A instabilidade emocional que Collete confere à sua personagem tem algo de engraçado e dramático ao mesmo tempo, enquanto a própria Winslet preferiu conduzir uma mulher que internaliza boa parte de suas dores e angústias, tentando manter sempre a calma e o controle da situação.

E temos Helen Mirren, que poderia ser apenas a mãe convalescente, mas ganha uma sobrevida interessante no decorrer da trama. Os filhos pensam que podem decidir os últimos passos da mãe, mas se surpreendem com a capacidade da matriarca em agir com lucidez, ainda que com o corpo cada vez mais debilitado.

Imagem ilustrativa da imagem Esse filme da Netflix começa com uma despedida e termina de um jeito inesperado
| Foto: Divulgação

Drama pacífico

Junto ao trabalho dos atores, há também de se creditar certa maturação dos caminhos que o texto e os diálogos seguem. Mesmo com ares de nepotismo (ou, para usar um termo da moda, nepobaby), Joe Anders não se sai mal como roteirista, especialmente por não seguir pelos extremos.

O filme nem é um drama exagerado de dedos apontados e discussão de dores do passado, mas também não caminha para o drama choroso e apelativo. Apesar disso, o longa parece se filiar a um tipo de melodrama que não esconde os abalos emocionais que aquelas pessoas sentem, mas demonstra isso sempre com um tom baixo.

O irmão caçula é o que, desde o início, mais sente emocionalmente o impacto pela perda futura da mãe – não que os outros personagens não sintam, mas ele é o que mais aflora esse sentimento.

Os demais tentam manter a naturalidade, ainda que se perceba nos olhares a angústia e a tristeza – talvez menos do pai, que parece alheio ao drama, ele também já bem idoso e aparentemente distante no tempo e espaço.

Mas é certamente o embate entre as irmãs Molly e Julia o grande centro de tensão do filme. A recusa das personagens em se encararem é sentida desde o início da trama, e o desconforto impera quando elas dividem a cena.

No entanto, não apenas elas, mas outros personagens terão seus momentos de catarse pela necessidade forçada de enfrentar suas travas emotivas, e surpreende que o roteiro conduza isso com calma e não busque o impacto dos choques verbais. Na sua aparente banalidade, Adeus, June caminha por um lugar pacífico, mas foge do lugar-comum.

Adeus, June (Goodbye June) / Dir.: Kate Winslet / Com Helen Mirren, Toni Collette, Johnny Flynn, Andrea Riseborough, Timothy Spall, Kate Winslet, Fisayo Akinade, Stephen Merchant, Jeremy Swift / Já disponível na Netflix

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