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SE LIGA NA DICA!

Esse filme expõe um pedido de socorro que o mundo ouviu em silêncio

Drama inspirado em caso real usa gravações verdadeiras para denunciar a violência em Gaza

Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

Por Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

03/02/2026 - 19:15 h

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Filme provocou debates acalorados e polêmicas desde quando foi exibido no Festival de Veneza ano passado
Filme provocou debates acalorados e polêmicas desde quando foi exibido no Festival de Veneza ano passado -

O Crescente Vermelho é uma organização humanitária que atua em conjunto com a Cruz Vermelha em áreas de conflito armado e emergência mundial, buscando dar suporte a vítimas diversas. O braço palestino do Crescente Vermelho é um dos mais ativos atualmente, diante dos ataques incessantes na região.

É a partir dele que se desenvolve a narrativa tensa de A Voz de Hind Rajab, quando a central de atendimento do serviço humanitário recebe um telefonema em janeiro de 2024 de um tio, cuja sobrinha se encontra em perigo na Faixa de Gaza.

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Eles conseguem entrar em contato com a menina por celular e descobrem que ela está presa em um carro que foi alvejado pelas tropas israelenses.

O tio, a tia e os quatro primos que estavam com ela no veículo foram mortos e ela, agora sozinha escondida no veículo, precisa ser resgatada. O caso é real, mas mais que isso, o filme utiliza as gravações verdadeiras da menina em conversa com os agentes do Crescente Vermelho, esses sim dramatizados pelo filme.

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A cineasta Kaouther Ben Hania, apesar de tunisiana, leva à frente o projeto que engrossa o caldo das obras recentes a discutir a questão palestina e as tragédias atuais que acometem a região.

O filme não se concentra em explorar o contexto do conflito ou as minúcias daquele ataque específico – passa como mais uma arbitrariedade mortífera perpetrada por Israel.

A Voz de Hind Rajab provocou debates acalorados e polêmicas desde quando foi exibido no Festival de Veneza ano passado. Era tido como o franco favorito a vencer o Leão de Ouro – em um júri que tinha a brasileira Fernanda Torres –, mas acabou ficando com o Grande Prêmio do Júri (uma espécie de segundo lugar).

Por outro lado, conseguiu vencer certa resistência e ser indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, ao lado de O Agente Secreto, ainda que sua distribuição internacional não tenha o mesmo aporte financeiro e publicitário de outras grandes produções.

No fundo, o filme de Ben Hania é bem modesto em termos de narrativa. Toda a ação se passa dentro da central do Crescente Vermelho. Acompanhamos os voluntários que atendem as ligações de Hind Rajab, tentando mantê-la calma, enquanto a menina pede ajuda.

Tensão constante

Os agentes humanitários só podem enviar socorro – no caso, uma ambulância para resgatar a garota – se tiverem autorização do exército israelense e depois de averiguar se não há maiores riscos também para a equipe médica que operacionaliza o resgate – outros já morreram antes tentando salvar vidas em perigo.

Começa então um jogo de tensões e negociações, especialmente entre Omar (Motaz Malhees), quem primeiro atende e conversa com a garotinha presa, e seu superior no Crescente Vermelho, Mahdi (Amer Hlehel). Por ser novato, Omar se comove com a situação e busca uma resolução imediata, mas as coisas não são tão fáceis assim.

Rana (Saja Kilani) intercala com Omar as diversas chamadas telefônicas que eles conseguem fazer com a garota, assim como outra superiora, Nisreen (Clara Khoury). É através deles que o espectador acessa as horas de tensão que transcorrem a cada nova chamada, sem saber se aquela será a última, uma vez que nunca vemos a garotinha ou a situação no local em que o carro da família foi atacado.

A cineasta escolhe a câmera trêmula na mão para instaurar um clima de inquietação que segue crescendo por todo o filme. Mesmo assim, e por todas as suas escolhas formais, o filme não deixa de soar um tanto redundante, já que a equipe da central telefônica pouco pode fazer a não ser esperar e pressionar para o resgate ser autorizado.

Apelo emocional

Apesar do tema urgente e atualíssimo do genocídio palestino em curso na região de Gaza, é certo que A Voz de Hind Rajab lida com a exploração não apenas de um drama real, mas também com um elemento documental que levanta questões éticas: o uso da voz real de uma criança pedindo socorro em meio aos cadáveres de seus próprios familiares no meio da Faixa de Gaza sob a mira do exército inimigo.

É uma situação aterradora e extremamente violenta, ainda que não necessariamente gráfica. A voz real da menina e suas súplicas em tom baixo – apesar de assustada, a criança nunca se exaspera ou entra em pânico – são fortes o suficiente para comover o espectador e colocar a todos em estado de impotência.

O longa evita mostrar qualquer tipo de cena de violência direta (somente ao fim, veremos imagens reais do carro alvejado, o que não deixa de ser também brutal).

De qualquer forma, busca-se capturar a comiseração do público diante da fragilidade infantil. Inevitavelmente, o filme lida com certa manipulação emocional ao trabalhar os dramas dos envolvidos, ainda mais com p toque de realidade da voz da garota.

É sempre uma escolha complexa essa de representar e reviver dramas reais de violência. Se por um lado há pretensões de denúncia sobre a matança atroz, há também uma exploração do miserabilismo como forma de comoção. Fica, então, a pergunta: o que podem o cinema e a arte diante da crueldade humana?

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