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NA HBO MAX

Novela Dona Beja tem baiana no time de roteiristas; conheça Ceci Alves

Única baiana da equipe, ex-repórter de A TARDE integra releitura da novela que estreia na HBO Max

Eugênio Afonso

Por Eugênio Afonso

02/02/2026 - 16:13 h

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A história de Dona Beja é ambientada no início do século XIX
A história de Dona Beja é ambientada no início do século XIX -

Ela migrou das redações jornalísticas – inclusive foi repórter de A TARDE – para o universo do audiovisual há quase 20 anos. Além disso, é doutoranda em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e possui formação em roteiro, edição, montagem e direção realizada fora do Brasil (Cuba e França).

Com uma trajetória já bem consolidada, a cineasta baiana Ceci Alves (Doido Lelé), 53, agora faz parte do time de roteiristas responsáveis pela atualização da nova versão de Dona Beja, novela programada para estrear globalmente nesta segunda, 2, na HBO Max, com lançamento simultâneo em mais de 100 países. Serão 40 capítulos, cinco por semana.

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A história é ambientada no início do século XIX e acompanha Ana Jacinta – personagem interpretada por Grazi Massafera –, uma mulher que transforma experiências de violência e exclusão em força e protagonismo. Na primeira versão da novela, exibida há 40 anos (1986) pela TV Manchete, Beja foi vivida pela atriz Maitê Proença.

Sob direção geral de Hugo de Sousa e com texto de Daniel Berlinsky e António Barreira, a obra, que tem colaboração de Maria Clara Mattos, Cecília Giannetti, Clara Anastácia e Ceci Alves como roteiristas, propõe uma leitura contemporânea sobre temas como autonomia feminina, poder, representatividade racial e revisão de papéis sociais.

Honra extrema

Única baiana do time de roteiristas, que aliás é formado somente por mulheres, Ceci revela que este trabalho foi um divisor de águas em sua carreira. “É minha primeira novela e, para mim, é muito doido, porque eu era apaixonada, eu sempre fui muito apaixonada por Dona Beja”.

“Eu já via nessa personagem uma mulher empoderada, marcante, forte, um feminino que não baixava a cabeça. Então, sempre tive muita empatia, muita proximidade com essa personagem. Fazer uma releitura de Beja, para mim, foi uma honra extrema”, confidencia Ceci.

A questão do olhar de uma mulher negra na equipe, segundo a roteirista, fez muita diferença porque uma das ampliações que Berlinski propôs para a novela foi justamente discutir as questões raciais no Brasil.

“Dona Beja se passa nesse espectro de tempo no qual o Brasil estava passando por uma abolição, as revoltas escravas estavam acontecendo ou sendo gestadas. Existia um movimento abolicionista forte, progressista, então era preciso essa atualização das questões negras”, ressalta Ceci.

“A novela tem essa militância de colocar outras vozes. Colocar vozes que foram silenciadas ao longo do tempo e que ela quer trazer e dar protagonismo”, arremata.

Descoberta em projetos direcionados a roteiristas, durante o período pandêmico, Ceci conta que conheceu Daniel Berlinski num desses encontros e que acabaram ficando próximos.

“Eu sou do cinema e do audiovisual, já participei de sala de roteiro de série, mas de novela eu achava distante, achava que não ia acontecer e quando recebi o convite foi muito bem-vindo. Me senti muito honrada em participar”, pontua a roteirista.

Jornalismo e cinema

Ceci conta ainda que não chegou a trabalhar diretamente com Grazi Massafera, mas que conheceu a atriz através do jornalista baiano Jean Wyllys, amigo de ambas. “Ela é uma pessoa queridíssima, adorável. Gosto muito dela. E ela fez um trabalho absurdo. É muito tocante a personagem que Grazi construiu”.

Repleta de projetos para 2026, Ceci comenta que vai entrar numa sala de roteiro, por agora, como pesquisadora, mas que, infelizmente, não pode dar mais detalhes sobre este trabalho.

“Vão ter ainda muitas estreias esse ano para mim. São projetos como, por exemplo, uma série documental biográfica sobre Carlinhos Brown, que vai estrear também na HBO Max, e vai se chamar provisoriamente de Carlinhos Brown em meia-lua inteira. A estreia está prevista para o primeiro trimestre deste ano”, anuncia a jornalista.

Ceci Alves é roteirista, produtora e diretora
Ceci Alves é roteirista, produtora e diretora | Foto: Divulgação

Tem também Pensão Ludovico, uma série de ficção realizada na Bahia com oito episódios. “A gente gravou em Cachoeira no ano retrasado e levamos um ano para finalizar, porque foi muito detalhado. É uma produção primorosa e tem um elenco estelar: Caco Monteiro, Zeca de Abreu, Clara Paixão, Everton Machado, Márcia Andrade. É uma série 100% baiana e ainda está sem data de estreia”.

Incansável, Ceci tem ainda dois longas-metragens na cartola. Um é o documentário Barra 69 – Um Axexê para a Tropicália, “que já tem bastante tempo que tô realizando. É um documentário histórico que fala do último show que Gil e Caetano fizeram na Bahia antes de partir pro exílio, em 1969, por conta da ditadura militar”.

O outro, escrito por Marina Schneider e dirigido a quatro mãos – por ela e Marina –, é um drama fantástico e se chama Eguncio. Conta a história de um homem de 80 anos que, em sua pós-vida, mantém em funcionamento uma loja de máscaras, onde guia clientes para encontrarem os rostos que buscam. Sua rotina é interrompida pela chegada de Gundito, uma criança de sete anos que se recusa a partir.

“É uma história linda de morrer, e estou com expectativa de saber como o público vai receber. Tem um convidado especialíssimo para ser o ator principal, que é Antônio Pitanga, e ele já aceitou o convite”, revela Ceci, em primeira mão.

E apesar de estar totalmente enlaçada pelo universo das telas, ela confessa que segue apaixonada pelo jornalismo, profissão que reconhece ser um verdadeiro sacerdócio. “Me considero jornalista, vou morrer jornalista. Então, estou meio que namorando e flertando essa volta para o jornalismo, mas o cinema e o audiovisual têm me tomado tanto que para poder conciliar vai ter que ser com muito cuidado, porque jornalismo também drena, você bem sabe, consome”, finaliza, entre risos.

Minibio

Roteirista, produtora e diretora, com séries e telesséries desenvolvidas para plataformas como a HBO Max e a Universal, Ceci Alves dos Santos também é fundadora e diretora da ¡Candela! Produções Audiovisuais, empresa pela qual desenvolve projetos autorais no cinema e no audiovisual.

Cineasta negra, é reconhecida por um trabalho que articula narratividade musical, afeto e posicionamento político, com foco em personagens historicamente marginalizados. Também possui uma trajetória consistente no jornalismo e na formação de novos profissionais do audiovisual.

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