Busca interna do iBahia
HOME > CINEINSITE

HBO

O disco que chocou o Brasil em 1966 volta em novo filme

Documentário sobre a criação do disco acaba de chegar no streaming

Edvaldo Sales
Por Edvaldo Sales
| Atualizada em
Imagem ilustrativa da imagem O disco que chocou o Brasil em 1966 volta em novo filme
-

O documentário Os Afro-Sambas: O Brasil de Baden e Vinícius, que investiga, em múltiplas dimensões, a criação de um dos álbuns mais marcantes da música brasileira, ‘Os Afro-sambas de Baden e Vinícius’, lançado em 1966, já estreou na HBO Max. Filmado entre São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro, o longa resgata, por meio de depoimentos de músicos, críticos, familiares e amigos, o contexto e a força criativa por trás da parceria entre Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Um dos nomes responsáveis pela produção do filme é Renata Leite (‘Elis & Tom, Só Tinha de Ser com Você’). Ao Portal A TARDE, ela explicou como surgiu a ideia de contar os bastidores da criação dessa obra.

Tudo sobre Cineinsite em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

“Quando a gente acabou o projeto Elis & Tom, ficamos com o desejo de contar a história de mais um álbum. Ficamos pensando de qual outro álbum a gente poderia contar a história. Meu sócio trouxe a ideia dos Afro-sambas. Depois, a gente procurou as famílias, que foram super receptivas. Convidamos o Emílio Domingues para dirigir. Fechamos contrato com a HBO Max em 2020 e conseguimos gravar em 2023 e já participamos de alguns festivais”, detalhou.

A produção reúne participações de nomes como Maria Bethânia, Nelson Motta, Jards Macalé, Dori Caymmi, Russo Passapusso e Cynara Faria, uma das fundadoras do Quarteto em Cy, grupo vocal que participou da gravação original do disco. A obra apresenta imagens de arquivo inéditas e destaca como a herança afro-brasileira foi fundamental na construção de uma nova linguagem musical entre os instrumentos tradicionais e os ritmos do candomblé.

Imagem ilustrativa da imagem O disco que chocou o Brasil em 1966 volta em novo filme
| Foto: Divulgação | HBO Max

Reconhecida como uma das músicas mais emblemáticas da história nacional, ‘Canto de Ossanha’ abre o disco e sintetiza sua proposta estética e espiritual. Ao lado de faixas impactantes, como ‘Tempo de Amor’, ‘Canto de Iemanjá’ e ‘Canto de Xangô’, entre outras, a canção representa o encontro entre ancestralidade, religiosidade e liberdade artística.

Questionado sobre o impacto de Os Afro-sambas de Baden e Vinicius na cultura brasileira, o diretor e roteirista Emílio Domingos destacou que “a música transcende épocas”.

“Os clássicos são ouvidos para sempre. A força da música é algo muito interessante. Esse disco se caracteriza por uma série de questões. O fato de ele trazer para a música popular brasileira elementos do candomblé já dialoga muito com o contemporâneo da música brasileira [...] Isso já é um sinal da importância do disco. Se as pessoas tiverem interesse em música de maneira geral, vão querer ouvir esse disco”.

A música rompe a questão temporal. Para mim, faz muito sentido pensar no diálogo desse disco e do filme com o Brasil atual

Emílio Domingos

Para Marina Pedral, gerente de Desenvolvimento e Produção Não Ficção da Warner Bros. Discovery, “o disco apresenta uma ousadia muito grande, de linguagem, de apresentação desse Brasil com um suporte musical. E se essa ousadia motivar as pessoas a irem atrás de uma construção positiva para o nosso país vai ser muito positivo”.

Leia Também:

JÁ VIU?

Esses são os 10 melhores filmes do século, segundo Almodóvar
Esses são os 10 melhores filmes do século, segundo Almodóvar imagem

ENTENDA

Cinema vai dar ingresso grátis para quem for de cueca por cima da roupa
Cinema vai dar ingresso grátis para quem for de cueca por cima da roupa imagem

CRÍTICA

Jurassic World: Recomeço tropeça e parece marmita requentada
Jurassic World: Recomeço tropeça e parece marmita requentada imagem

Conseguiu captar o teor do disco?

Imagem ilustrativa da imagem O disco que chocou o Brasil em 1966 volta em novo filme
| Foto: Divulgação | HBO Max

Ao Portal, Emílio enfatizou que, mais do que conseguir captar o teor do disco, “que é uma obra prima”, eles conseguiram captar os bastidores da criação artística e como ela “está em consonância com o que é o país”. “É a força da arte no sentido de influenciar um pensamento sobre o que é o Brasil. Quando se tem um artista intelectual como Vinícius de Moraes, ou um músico genial como Baden Powell, que cria novos parâmetros, novas linguagens para a música, isso não muda só o Brasil, acaba sendo reverenciado no mundo inteiro”.

O diretor pontuou que uma coisa peculiar do disco é a busca dos criadores por uma música essencialmente brasileira. “Vinicius e Baden eram artistas muito conceituados e respeitados, e quando eles jogam luz nisso, estão referendando, dizendo: ‘Prestem atenção nisso. Vamos valorizar isso. Essas músicas dos terreiros são incríveis, o canto gregoriano é incrível também. Não é porque são músicas religiosas que não podem ser utilizadas na música popular’.

Eles mostram a grandeza, a beleza e a sofisticação dos tambores de terreiro. O quanto essa cultura é rica e sofisticada. É uma cultura ancestral. Esse é o grande mérito: mudar o ponto de vista e ajudar a propagar o respeito e a admiração pela cultura afro-brasileira

Emílio Domingos

Apresentar o disco para novas gerações

Imagem ilustrativa da imagem O disco que chocou o Brasil em 1966 volta em novo filme
| Foto: Divulgação | HBO Max

A equipe enfatizou que um dos objetivos com o documentário é apresentar Os Afro-sambas de Baden e Vinicíus para as novas gerações. “É uma coisa que a gente deseja muito. O cinema e a cultura têm essa força de uma coisa acabar influenciando a outra. Muita gente vai acabar conhecendo esse disco, tem toda uma nova geração que não conhece, mesmo esse álbum sendo apontado como um dos mais importantes da história da música brasileira”.

O audiovisual tem essa força, de trazer essas discussões. Um movimento acaba gerando o outro. Se isso acontecer seria lindo

Emílio Domingos

Antes da estreia oficial, o documentário, que já passou pelo Festival do Rio, foi também exibido no Festival Brasileiro de Cinema de Paris, evento que há mais de duas décadas celebra a produção cinematográfica nacional na capital francesa. O documentário também foi parte da categoria de competição do 17º In-Edit (Festival Internacional do Documentário Musical), de 11 a 22 de junho, em São Paulo.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

hbo max Vinicius de Moraes

Relacionadas

Mais lidas