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CINEMA NACIONAL

Vale o ingresso? Rio de Sangue une ação e suspense em trama urgente

Filme com Giovanna Antonelli equilibra tensão, afeto e crítica social em thriller ambientado no Norte do país

Beatriz Santos
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Rio de Sangue é estrelado por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann
Rio de Sangue é estrelado por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann - Foto: Divulgação

O filme Rio de Sangue, dirigido por Gustavo Bonafé, chegou aos cinemas com a proposta de expandir os limites do thriller policial nacional ao deslocar sua narrativa para a Amazônia.

Estrelado por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann, o longa acompanha uma policial afastada que, ao ter a filha sequestrada por garimpeiros ilegais, precisa retornar à ação em uma corrida contra o tempo marcada por violência, tensão e um forte vínculo emocional.

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Uma protagonista em reconstrução

Logo no início, Patrícia Trindade surge como uma figura atravessada por falhas e consequências. Após uma operação mal-sucedida, a policial é afastada e passa a viver sob ameaça do narcotráfico. A fuga para o Pará, no entanto, não representa apenas sobrevivência, mas também uma tentativa de reconstruir laços com a filha.

Essa dimensão emocional sustenta o filme e encontra força na atuação de Giovanna Antonelli, que opta por um caminho menos estilizado e mais sensorial. “Patrícia não age por coragem. Age porque não tem escolha”, afirma a atriz em entrevista ao Cineinsite A TARDE.

A recusa em romantizar a personagem é evidente: “Não tentei ‘construir’ isso de fora pra dentro. Fui no caminho de entender o que acontece quando uma mãe perde o controle da situação”.

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Ao evitar uma composição previsível, Antonelli constrói uma personagem que oscila entre a fragilidade e a reação impulsiva. “O medo às vezes paralisa, mas o instinto atravessa tudo”, completa. Essa entrega física também impactou o processo: “Foi um desgaste real. Corpo cansado, calor e muita tensão. E isso me ajudou para chegar à cena no limite”.

A escolha por uma protagonista feminina dentro de um gênero ainda pouco explorado no Brasil também marca um ponto importante na carreira da atriz. “Estamos acostumados a ver mulher forte sendo explicada. E aqui ela simplesmente é”, diz. “Escolher personagens que me tiram da zona de conforto é o que me interessa”.

O coração da história

Apesar da estrutura de ação, o filme encontra sua espinha dorsal na relação entre Patrícia e Luiza. A filha, interpretada por Alice Wegmann, atua como médica em comunidades indígenas no Alto Tapajós e representa um contraponto ético e humanitário à trajetória da mãe.

“A bondade genuína que ela tem. Ela se dedica muito ao outro, abre mão da própria vida pra salvar a vida de outras pessoas”, explica Wegmann. A personagem, mesmo inserida em um contexto de extrema vulnerabilidade, não se limita a um papel passivo. “A Luiza mal sabe manejar uma arma, mas tem inteligência e esperteza pra se safar em situações extremas”.

Essa construção evita um estereótipo comum no gênero e reforça a ideia de resistência. “É claro que tem medo de tudo, mas faz de tudo pra continuar viva… é uma sobrevivente”, completa.

A conexão entre mãe e filha também foi trabalhada como elemento central fora das câmeras. “A gente construiu confiança e parceria”, conta Antonelli. “E no set, a gente se olhava e se conectava. Porque, no fundo, essa história não é sobre ação. É sobre vínculo”.

Ainda assim, o filme poderia explorar mais profundamente a perspectiva de Luiza. Embora seja o motor da narrativa, a personagem recebe menos espaço do que o conflito que representa sugere, o que reduz parcialmente o impacto de algumas decisões dramáticas.

Amazônia como cenário e personagem

Ao deslocar a narrativa para a região Norte, Rio de Sangue encontra um de seus maiores diferenciais. A floresta não funciona apenas como pano de fundo, mas como um elemento ativo que influencia ritmo, tensão e atmosfera.

A fotografia valoriza a grandiosidade da paisagem ao mesmo tempo em que transforma o espaço em algo opressivo. A sensação de isolamento constante cria um ambiente onde qualquer movimento parece arriscado, ampliando a tensão da narrativa.

Gustavo Bonafé explica que essa sensação foi construída intencionalmente: “Sempre quisemos essa sensação de uma bomba prestes a explodir”. Segundo ele, a linguagem visual acompanha as emoções dos personagens: “Nos momentos de suspense, trabalhamos com uma câmera mais estável, que caminha muito junto com os personagens”.

Já nas sequências de ação, o ritmo muda: “Quando é a hora da ação, a câmera vai para a mão e o filme fica mais dinâmico e mais imprevisível”. Essa alternância contribui para uma imersão mais intensa, ainda que, em alguns momentos, o excesso de ritmo impeça que certas cenas respirem.

A ação como motor definitivo

Como thriller policial, o filme assume uma estrutura clássica: perseguições, confrontos armados e situações extremas que colocam os personagens à prova. Nesse aspecto, Rio de Sangue funciona com eficiência, entregando sequências bem coreografadas e fisicamente convincentes.

Felipe Simas, que interpreta um personagem inserido no conflito do garimpo, destaca o esforço físico e emocional exigido: “Acredito que o ator é um atleta tanto das emoções quanto do corpo”. Ele reforça que o filme busca esse equilíbrio: “Gosto de cena que nos leva ao extremo, onde a gente ‘perde’ um pouco do controle”.

O ator também chama atenção para o contexto social que atravessa sua personagem: “A exploração inadequada das nossas matas revela o desejo desenfreado do ser humano por ter aquilo que não é dele”. Para ele, o filme assume um posicionamento: “Esse tema é de extrema importância e no filme é tratado como uma denúncia firme e corajosa”.

Ainda assim, o longa recorre a soluções típicas do gênero, algumas vezes exageradas. Personagens que resistem a situações improváveis e reviravoltas pouco críveis aparecem ao longo da narrativa, o que pode comprometer a imersão em determinados momentos.

Entre denúncia e entretenimento

Um dos principais méritos do filme está na forma como articula questões sociais sem interromper a narrativa. O garimpo ilegal, a exploração de territórios indígenas e a presença do crime organizado são integrados à história de maneira fluida.

Bonafé destaca que esse equilíbrio já estava previsto desde o início: “A partir do momento em que você se propõe a fazer um filme na Amazônia com esse pano de fundo, isso já está no roteiro”. Para ele, o desafio foi manter o envolvimento do público: “A gente conseguiu fazer um filme que mantém o público envolvido e que também vai dar um estalo com relação a essas questões sociopolíticas”.

Essa abordagem evita que o filme se torne didático ou panfletário, mas também limita o aprofundamento de algumas questões. Há espaço para discussões mais densas, especialmente em relação às comunidades indígenas, que aparecem mais como contexto do que como protagonistas.

Desafios de produção e ambição de gênero

Produzir um filme de ação no Brasil ainda representa um desafio logístico e financeiro. No caso de Rio de Sangue, as dificuldades se intensificaram pelas condições da Amazônia.

“As cenas de água foram as mais difíceis”, explica Bonafé. “Você não está próximo do camarim, da maquiagem, da base… tudo fica mais lento”. Ao mesmo tempo, ele reconhece o ganho estético: “Isso traz uma realidade pro filme muito boa”.

A escolha de filmar no Tapajós reforça essa busca por autenticidade e contribui para a construção de um universo mais palpável. O diretor acredita que o longa pode abrir portas para o gênero no país: “O público quer ver bons filmes. Se você tiver um bom filme de ação, o público vai gostar”.

Ele também faz uma crítica ao mercado: “A gente ainda insiste em apostar no que acha que o público quer ver, quando deveria apostar no que é um bom projeto”.

Um filme entre fórmulas e identidade

Rio de Sangue se equilibra entre dois caminhos: de um lado, a tentativa de dialogar com o cinema de ação internacional; de outro, o esforço de construir uma identidade própria a partir de temas e espaços brasileiros.

Quando abraça sua dimensão mais emocional, especialmente na relação entre mãe e filha, o filme encontra sua força. Quando se apoia excessivamente nas convenções do gênero, perde parte de sua singularidade.

Ainda assim, o longa se destaca por apresentar uma protagonista feminina complexa, por explorar um cenário pouco visto no cinema nacional e por inserir questões sociais relevantes em uma narrativa acessível.

Veja o trailer:

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